Recite

Belas donzelas e caros consortes, quem sou eu para ensinar-lhes alguma coisa? No entanto, muitos me perguntam sobre autores, obras ou métodos para tomar gosto pela leitura e ampliar seu vocabulário, sua cultura geral, etc., etc. Há muitos professores de verdade por aí, com uma cultura muito maior do que a minha, que poderão ser úteis nesta seara (Olavo de Carvalho, Rodrigo Gurgel, etc. etc.) No entanto, se querem uma dica particular de algo que eu mesmo faço, eu sugeriria o seguinte: recite. Leia em voz alta, GRAVE o que você está lendo, e depois apenas OUÇA o que você gravou.

Vocês sabiam que textos fundamentais que edificaram civilizações não eram simplesmente lidos ou ditos mas sim cantados? A Bíblia, por exemplo (os cinco rolos do antigo testamento), em seu original em Hebraico, não é simplesmente lida, mas sim cantada. A famosa obra “Ilíada”, de Homero – o pilar da cultura grega e por extensão da cultura ocidental – era igualmente cantada, não simplesmente lida. Isto porque todas as tradições eram passadas de forma ORAL, e textos rimados e cantados eram mais facilmente memorizados. As pessoas nestas épocas sabiam livros inteiros de cor!

Quando você lê em voz alta, você traz a palavra à vida. E quando você ouve o que leu, a memorização auditiva é muito superior à memorização visual (apenas de leitura) Eu, particularmente, gravei TODA a Ilíada de Homero na minha voz, TODA a Torá (os cincos primeiros livros do Antigo Testamento), TODO evangelho de Mateus, e mais alguns textos literários não sacros, como sonetos de Shakespeare e “O Paraíso Perdido” de John Milton. Deste modo, você não precisa “consultar” marcações nos livros ou ler “resumos”; a palavra viva está na sua memória pronta para vir à tona, assim que haja alguma situação que a evoque. Uso muitos ditos de Jesus nos textos não por que os vá procurá-los na Bíblia para ornamentar ideias, mas sim porque a frase me vem imediatamente à cabeça quando esbarro com uma situação que a evoque; é um processo instintivo e muito natural.

É claro que nem todos têm o tempo e a paciência de gravar obras inteiras com a própria voz e depois ouvi-las, mas tentem fazer isso ao menos com suas passagens favoritas, com frases fortes, com máximas do seu pensador predileto. Você vai se assustar com que naturalidade irá incorporar palavras e ideias. Aquela sensação de ler um livro inteiro de 400 páginas e não ter absorvido praticamente nada dificilmente irá se repetir. A palavra falada tem um poder completamente diferente. Se tenho de dar algum conselho, é este.

Solução inconstitucional

“Frente de magistrados alerta Bolsonaro que fim da Justiça do trabalho é Inconstitucional” Tudo o que precisa ser feito no Brasil é inconstitucional. Sinal de que esta constituição tem de ir para lata do lixo.

Nota: Os magistrados alegaram que a Justiça do Trabalho “contribuiu intensamente para pacificação social nos últimos 70 anos”. Pacificação social? O Brasil, sozinho, produz NOVENTA E OITO POR CENTO (98%) de todos os processos trabalhistas do mundo! É o maior inferno que existe sobre a terra, no que concerne trabalhadores e patrões. Leis injustas, postas a cabo por sujeitos ideologicamente enviesados. O patrão é visto como um demônio de rapina, o empregado como um pobre coitado, e a justiça do trabalho como a paladina que irá proteger os pobres coitados (é claro, a peso de ouro: com salários homéricos, regalias, privilégios, etc., etc.) Perguntar para magistrados e promotores que VIVEM DISSO se a Justiça do trabalho deve continuar, é como perguntar para o cabeleireiro se você tem de cortar o cabelo: a resposta será sempre sim.

Narrativa correta

Então quer dizer que a “Globo golpista” recebia vultosas quantias em dinheiro do Governo mesmo que – diziam – queria derrubar. Agora que derrubou, foi recompensada pelo novo Governo eleito com o corte de verbas e a perda de privilégios; um agradecimento pelos serviços prestados. Algo não bate nessa narrativa desencontrada…

Vamos construir outra narrativa: A Rede Globo recebia vultosas quantias em dinheiro do Governo por ser ALIADA a ele; se limitava a denuncias de picuinhas administrativas e corrupções pontuais, escondendo todo o esquema ideológico socialista que a mantinha e justificava. O povo, que sempre teve a sensação de que havia algo errado, finalmente descobriu a verdade através de mídias alternativas, tratou de eleger um presidente para desmontar esse esquema, e foi exatamente o que o eleito fez: desmontou o conchavo criminoso entre Governo Federal e grande midia; governo que COMPRAVA apoio e desinformação das maiores plataformas de mídia no país através de uma distribuição totalmente desproporcional de verbas públicas. Felizmente, acabou.

A fórmula do sucesso

Não há segredo para se fazer sucesso. É só escolher um nicho e falar exatamente o que aquele nicho quer ouvir. Por exemplo: entre numa página do Bolsonaro e escreva: “Viva Bolsonaro!”, e você terá um milhão de curtidas. Entre numa pagina do PT e escreva: “Lula Livre!”, e você terá um milhão de curtidas. Entre numa página de quem quer emagrecer e escreva: “Eu perdi 20 quilos só bebendo água com limão e você pode perder também!”, e terá um milhão de curtidas.

Enfim, ser famoso não é difícil: basta ter uma boa dose de superficialidade, ser aproveitador e não muito sincero, pois você não estará dizendo ou pregando o que realmente acredita, mas o que sabe que as pessoas querem ouvir. Todas as celebridades, sem exceção, fazem isso (já perceberam que eles pregam uma vida que não levam?) Por outro lado, o difícil – e talvez seja a verdadeira arte – é buscar algo que é universal no espírito humano; que transcende todos os nichos e abarque todos eles. Não é uma tarefa fácil. Poucos conseguem chegar lá, e por dedicarem uma vida inteira somente para isso, acabam negligenciando outras áreas e não raro morrendo de fome. A quantidade de gênios que terminaram muito mal não está no gibi, meus amigos. Já para o idiota não falta público, uma carreira, e uma estrela na calçada da fama.

Superficialidade das massas

Política é para poucos. Por que a Esquerda geralmente leva vantagem? Porque ela leva em consideração a superficialidade das massas. Você, que é bem informado, que sabe que o filho do General é concursado, tem 18 anos de carreira, é pós-graduado e apto a função, vê com muita naturalidade e até justiça sua promoção ao cargo de confiança. Mas o sujeito comum que trabalha 10 horas por dia, que não está por dentro dos pormenores e se informa apenas pela grande mídia, lê a manchete: “FILHO DE VICE PRESIDENTE É INDICADO PARA CARGO DE CONFIANÇA E PASSA A GANHAR 37 MIL REAIS” Qual é a IMPRESSÃO que o cidadão comum tem? “O mau e velho nepotismo… pensei que fossem diferentes” Vocês entendem? Você não pode presumir que TODOS tenham o mesmo nivel de informação e escrutínio que você; a politica de massas é um jogo de imagens e impressões. Você cava fundo e não se deixa levar pela grande mídia? Ótimo. Você é um sujeito racional que não se deixa levar por jogo de palavras e impressões? Ótimo. Mas veja bem, o povo brasileiro não é você ou o seu grupo; são 200 milhões de pessoas. Muitas delas ainda dependem quase que completamente de uma mídia podre e vendida, e tudo o que ela precisa é munição.

Demiurgo do senado brasileiro

Se você deixar de pagar um boleto de 50 reais, seu nome vai para o SPC e você não consegue sequer abrir um crediário numa loja popular do seu bairro. Mas se você tiver uma centena de processos nas costas, inclusive por corrupção, você pode se tornar Senador da República e até mesmo se candidatar à presidência do Senado federal. Vide Renan Calheiros, o demiurgo do Senado brasileiro.

Abate como dissuasão

Enquanto a política de engajamento da Força de Segurança Nacional em Estados em calamidade não for o ABATE, ela estará enxugando gelo. E o pior: com o nosso dinheiro. Se o sujeito souber que se for pego incendiando ônibus levará um tiro na testa, ele não o faz. Mas ser preso ou “apreendido” (no caso de menores de idade) é mamão com açúcar; ainda mais com o nosso código penal que é feito para deixar marginais com extensa ficha corrida nas ruas.

Quando se fala em “abate”, as pessoas logo pensam em carnificina, mas na verdade trata-se de dissuasão. Ninguém é maluco de pôr sua vida em risco por pouca coisa, quanto mais para fazer baderna, de modo que apenas a ameaça do abate já diminuiria e muito as convulsões sociais causadas por criminosos. O engajamento “humanizado” causa o efeito contrário: o marginal é encorajado pela impunidade e suas ações caóticas acabam vitimando inocentes; estas são vidas que seriam poupadas caso a politica de engajamento correta fosse implementada. Ou seja, uma abordagem mais “humana” causa aquilo mesmo que ela quer evitar: violência e mortes. E não contra criminosos; aqueles que causam o caos, mas sim contra inocentes – pagadores de impostos e cumpridores da Lei como eu e você.