O Refratário

Quem aqui lembra-se de meu glorioso amigo Otávio? Não é Otávio, mas escrevi Otávio à ocasião, e ficou mesmo Otávio. Na verdade ficou “Otavinho”, ou “Otávio Semeador”; este ultimo carregando o nome de sua Filosofia, que então advogava a Poligamia para Homens e Monogamia para mulheres (?) Enfim, faz tempo. E devo dizer que foi com meu glorioso amigo Otávio o introito de minhas “Crônicas”, se é que posso assim chama-las.

Desde então vieram muitas outras, mas Otávio nunca mais foi citado. Escrevi sobre tudo: – D’us, tudo o que há nos céus, tudo o que há na Terra e tudo o que há nos mares, debaixo da Terra. Escrevi sobre o que existe e até sobre o que não existe, mas Otávio nunca mais foi mencionado – sequer de passagem – o que feriu gravemente seu Gênio Filosófico.

Eis que então tenho uma novidade acerca de Otávio. Ou melhor, protagonizada por ele mesmo. Fomos à Bienal do Livro; maior evento Literário do país que teve sede na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Fomos lá dar uma olhada nos livros (tratando-se de Bienal do Livro, parece-me obvio)

Enfim, Tudo caminhava muito bem – apesar dos estandes me parecerem um tanto quanto pobres e excessivamente voltados a adolescentes – até que eu e Otávio nos aproximamos de um grupo de meninas; meninas mulheres, mulheres “feministas”. (Vejam bem: – Há todo um modo de vestir, de falar, um gestual todo próprio da mulher feminista, quanto mais em bando; digo, – em grupo)

Quanto a mim, permaneci indiferente. Continuava a pegar livros de prateleiras e a devolve-los, desinteressado. Otávio fazia o mesmo, mas estava algo atento a conversa das meninas, que não faziam mesmo nenhuma questão de serem discretas, muito pelo contrario. Digo a vocês: – Num intervalo de cinco minutos, ouvimos dezenas de vezes palavras como: “Obscurantismo”, “Machismo”, “Opressão”, “Vítima”, “Prisão”, “Escrava”, “Libertação”, etc., etc.

Afastei-me naturalmente, dado que vãs repetições costumam me deixar enjoado, mas Otávio as desafiava, ficando simplesmente onde estava, sem se mover. No mais, demonstrava alguma atenção ao que falavam; mantinha um olhar rutilo e salivava. A qualquer momento o “gênio filosófico” de Otavinho explodiria.

Tentando evitar algum imbróglio, fui até o sujeito e tentei persuadi-lo:

– Otávio, vamos para aquele outro Estande, parece ter coisas interessantes por lá…
(olha o estande que aponto) – É estande de culinária, Miceli. Desde quando você se interessa por culinária? (de fato era estande de culinária. Estava apenas tentando persuadi-lo, como bem disse) Já sei. Você esta com medo que eu faça alguma cena aqui, com essas feminazis. Pode ficar tranquilo, não tenho nada pra discutir com essas mulheres. Parecem um bando de discos arranhados! “Opressão, vitima, prisão. Opressão, vitima, prisão”. Estão em uma bienal e não mudam o disco!

Bom, não foi preciso nada mais. Uma das meninas, estando próxima e já antenada à Otávio, ouviu tudo. Ouviu tudo e cochichou para as outras, que logo entreolharam-se, e olharam para nós. Olharam para Otávio e olharam também para mim. Eu, que não dissera nada e só queria cozinhar (ou melhor, visitar o estande de Culinária)

– O que foi, troglodita? Até na Bienal você se diverte em oprimir mulheres?
(Revirei os olhos e quase golfei no livro que segurava, mas Otávio, ultrajado, retorquiu) -Ora essa! Vocês são um bando de retardadas mentais com síndrome de perseguição, isso sim!

Nisso se deu algum alvoroço. Houve sobressaltos. Houve agitação. Dedos apontados e esbarrões em prateleiras. Alguns livros caíram. Tanta asneira foi dita que, para economia do leitor, de espaço, e daquele que escreve, melhor é que não transcreva, mesmo.

Saímos de lá com Otávio semeando afirmativas de ordem e erguendo sua própria bandeira pessoal: – “Vocês transformaram a mulher em um Homem mal acabado! Foi isso que fizeram! A mulher se tornou um Homem mal acabado!” (na verdade essa frase é de Nelson Rodrigues, mas eu não iria roubar-lhe o momento de glória, denunciando-o. No mais, acrescentou) – Eis aqui um Refratário! Ouviram bem? Um Refratário!”

Tomamos a Van de volta para Tijuca. Eu, o Refratário e alguns poucos livros, mirrados. De fato, toda a experiencia fora decepcionante. Ainda na Van, Otávio me repreende:

– Miceli, você sabe como eu sou; por que deixou-me ao lado daquelas loucas?
– Tentei leva-lo à outro estande, senhor refratário. Você é quem não quis.
– Que outro Estande, o de Culinária? Dois homens em um Estande culinária? Faça-me o favor! Prefiro sair com fama de encrenqueiro a sair com fama de pederasta!

Conluio Abstruso

WASHINGTON/LONDRES – Em mais uma declaração forte após a conclusão do histórico acordo alcançado entre o Irã e as potências globais que ajudarão a monitorar o programa nuclear do país, o aitolá e líder supremo Ali Khamenei afirmou acreditar que Israel “não existirá em 25 anos” — período em que terminará boa parte dos termos do pacto.

— “Diria a Israel que eles não passarão de 25 anos existindo. Se Deus quiser, não haverá algo como um regime sionista dentro deste tempo. Até lá, a luta, a moral e o heroísmo islãmicos não os deixarão ser serenos” — criticou o aiatolá, citado pela agência estatal IRNA.

– Globo, Agencias Internaiconais. 10/09/2015

Esta declaração não é nenhuma novidade. É até mesmo um clichê, dito por muitos dos lideres islãmicos: – “Israel não deve existir! Morte aos judeus! Morte aos Estados Unidos da America, o grande satã! Morte à Europa! Morte à Roma! Morte ao Ocidente!” etc., etc. Eles reverberam estes dizeres há décadas. Há videos, há áudios. Só quem não quer, não vê. Só quem não quer, não ouve.

Ainda assim, fizeram este acordo nuclear suicida com Irã (um destes países Islãmicos manifestamente hostis ao Ocidente) O próprio Estados Unidos, tradicional aliado de Israel, tratou de encabeçar as negociações que deram a seu adversário declarado a possibilidade de contar com armas nucleares em poucos anos, incorrendo assim em ameaça explicita ao próprio pais e, principalmente, ao dito principal aliado Israel.

Mas, na verdade, não há surpresa. Sabe-se bem que as grandes nações do Ocidente estão em conluio abstruso com o Islã. Estão enfraquecendo seus próprios países com politicas imigratórias indolentes, abrindo indiscriminadamente fronteiras, empreendendo programas de assistencialismo utópicos, enfraquecendo-se militarmente, entre outras políticas suicidas.

Nada que também já não estivesse nas Escrituras ditas Sagradas. Estas nos dizem que no fim, todas; absolutamente todas as nações ficariam contra Israel. Pelo visto, está acontecendo. Já escrevi textos e mais textos desfazendo todas as falácias maquinadas e disseminadas contra Israel e o povo judeu, de modo que não ficarei me repetindo enfadonhamente. Mas, para os cristãos que, por algum motivo ainda se colocam contra os Judeus, deixo-lhes com um pequeno dito do senhor e mestre de vocês:

“Vocês adoram o que não conhecem, mas nós Judeus adoramos o que conhecemos pois a salvação vem dos Judeus.”

Evidentemente falo de Jesus Cristo, o Messias Judeu, cujo dito foi registrado no livro de Yochanan (João), Capítulo 4 , versículo 22.

Nasrani

Houve época em que os Franceses eram chamados “Nasrani” (Nazarenos, em árabe). Os muçulmanos os chamavam desta forma devido a Cristandade alumiada dos Franceses, que lhes conferia confiança inabalável e uma bravura peculiar em batalha. (Falo da época das Cruzadas, uma contra ofensiva Cristã às investidas Muçulmanas. Sim, exatamente como ocorre hoje.)

Alias, devo corrigir o meu paranteses. Disse: “Exatamente como ocorre hoje” e fui impreciso. Na verdade só há ofensiva islãmica, sem nenhuma contra ofensiva a apontar. Nem “Religiosa”, por parte de Cristãos, nem “Estatal”, por parte de algum Estado de Direito.

Enfim, nenhuma, mesmo.

Estão todos preocupados com baleias, árvores e cachorros. Se um homem pode ou não casar com outro homem ou se um homem pode ou não casar com um cachorro, uma arvore ou uma baleia.

Sim, as preocupações atuais são seríssimas. E há, também, de se ter muita tolerância.

Se um sujeito põe uma arma na sua cabeça, rouba o que você trabalhou o mês inteiro para adquirir, e ainda lhe dá umas bofetadas (ou umas facadas), fique bem. Ele foi muito bondoso e não te matou. Exerceu sua justiça social sem executar a pena de morte (a qual eles tem todo Direito. Quando um Estado executa pena de morte é escandaloso. Quando um marginal exercuta pena de morte, é justiça social)

Se você paga mais imposto do que recebe de salário, e num momento de necessidade, não tem acesso a nenhum serviço decente do Estado, fique bem. Há todo um procedimento legal a ser respeitado, para que estas situações sejam corrigidas (não se sabe bem o porque, esses procedimentos nunca são executados, por ninguem)

O seu problema, meu amigo, está no pedaço de carne que você come. Ou no cigarro que você fuma. Não está num Estado corrupto que te suga até o seu ultimo fio de cabelo, nem em grupos que, para prosperar e expandir, visam declaradamente te destruir.

Não.

Para que exaspero ? Você não quer se tornar um “intolerante”, ou um “fundamentalista”.

Óbvio que não.

Seja manso. Mas não um manso genuíno, o sujeito que vive em paz consigo e com os outros, pois de fato vive em justa paz.

Não.

Seja um manso cheio de ressentimentos, consigo e com os outros, por saber, em seu intimo, que vive uma fraude e não ter capacidade alguma de reagir a isso.

Sei que o tom do texto é hostil, parece provir de sujeito aviltado, talvez confuso e desconexo. Mas nem sempre o falar bem comunica coisas más. Há quem entenda sutilezas, há quem não entenda sutilezas. E, ao meu ver, os aviltados são todos. (os que entendem e os que não entendem)

Lamento pelos Franceses. De respeitados “Nasrani”, à presas fáceis, dóceis e risíveis. Isso após séculos de auto-degradação e suicidio Cultural (exatamente como se faz por estas Terras, e teremos exatamente o mesmo fim)

Imigração Européia, Invasão Européia.

Deparo-me com Notícia (acrescida de video; entrevistas.)

“Na ilha Grega de Lesbos, refugiados árabes estão a invadir casas e a destruir propriedade pública. Habitantes nativos passam por agonia indescritível.”

Digo-lhes a verdade:

O que chamam Imigração Européia, chamo Invasão Européia.

Cavalo de Troia do século XXI.

“Somos todos Humanidade única e homogênea. Todos iguais. Todos, caminhando entre flores com balão de ar à mão, em forma de coração”

Não.

Há diferenças abissais entre povos e culturas. Tradições, hábitos, visões de mundo, mentalidades.

Um lado está avançando, sabendo perfeitamente bem o que está fazendo e com que finalidade. (Ainda que usando e vitimizando seus próprios cidadãos para isto)

E o outro está entretido com cinemas, seriados, músicas, obscenidades sexuais, toda espécie de distração baixa e medíocre.

Um dia acordarão as 5 da manhã para rezarem voltados à Mecca. Olharão para mulher e ela estará de burca. Pensarão, então, que estão em algum capítulo de seriado americano.

Utilitários:

Abaixo vai trecho presente em todas as orações diarias dos muçulmanos, para os senhores irem decorando. Sim, porque o Brasil é um destes países abertos a imigração desenfreada de “exilados” do Oriente Médio.O Islã cresce em favelas de São Paulo e o numero de Mesquitas pelo país aumenta anualmente. Há projetos que incluem o Islã no Ensino Público, sob o pretexto de, com isso, diminuir o preconceito contra muçulmanos (Os senhores já viram um muçulmano ser vítima de algum preconceito no Brasil? Nem eu. Mas o subterfugio é o mesmo. A ladainha é a mesma. E sempre funciona.)

Surata de Abertura do Alcorão:

“Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso
Louvado seja Deus, Senhor do Universo
O Clemente, O Misericordioso
Senhor do Dia do Juízo
Só a Ti adoramos, e só de Ti imploramos ajuda
Guia-nos à senda reta,
À senda dos que agraciastes,
Não à dos abominados, e nem à dos extraviados”

Divirtam-se.

Considerações sobre a Imigração na Europa

Considerações sobre a Imigração na Europa;

I – Condenados devem ser os países do qual os emigrantes estão fugindo. Não para o qual estão fugindo.

II – É a Síria que deve promover dignidade de vida para o cidadão do seu país. Se não o faz, a ponto deste cidadão ter de empreender uma emigração perigosa, é ele o país criminoso. Cito Síria como exemplo, e o mesmo é dito com relação a Países Genocidas Africanos do qual estas pessoas fogem, bem como Países assolados por guerras civis no Oriente Médio.

III – Não há como a Europa receber todas estas pessoas sem grande impacto economico e social. Muitos dos países Europeus já sofrem de miseria crescente por não conseguirem absorver essas pessoas. Se continuar assim, a Europa se tornará tão precária quanto os países do qual estas pessoas fogem.

IV – Nota-se a facilidade com que a midia manipula opiniões. Mostra o drama dos emigrantes e atribuem aos países Europeus tais dramas. Quando na verdade o motivo da fuga é o caos dos seus países de origem (se citam isto, citam muito de passagem. A enfase fica toda na politica de imigração Europeia, culpando-a). Não se cobra destes países criminosos, que promovem a debandada de seus próprios cidadãos, absolutamente nada. Mas dos países Europeus, cobra-se absolutamente tudo.

V – Resultado; Não vejo ninguém falando contra os Países Genocidas Africanos ou o Estado Islãmico que devasta a Síria. Mas vejo todos comovidos, dando cambalhotas, contra países Europeus que tentam de alguma forma controlar a imigração. Vejam bem; Se estes países fossem tão ruins, “neonazistas” (sic), como é dito, ninguém enfrentaria a morte por milhares de quilometros, em fuga, logrango chegar até eles.

O problema da emigração é muito simples; Se a pessoa nasce em um país decente, não precisa emigrar para lugar nenhum. Se a Síria fosse um bom lugar par se viver, ninguém emigraria de lá para Alemanha.

Ou você já viu um Alemão enfrentando rotas de morte para chegar à Síria ?

Portanto, é a Síria que deve ser condenada por sua desgraça. Não a Alemanha,por sua prosperidade.

A culpa da desgraça dos emigrantes está na África e está no Oriente Médio. Não está na Europa.

Mas nesse mundo vê-se tudo o contrário, sempre. Quem tem mérito é culpado e o desgraçado é exaltado.

Agente Literário

Domingo encontrei-me com um Agente Literário.

O sujeito lera meus textos em um site na internet e, algo interessado, convidou-me para uma conversa a respeito.

Ainda que embaraçado, aquiesci e compareci. Digo embaraçado porque, como todos sabem; Sou analfabeto. E mais; Mal consigo expressar-me verbalmente (segundo avaliação da jovem fonoaudiologa do meu filho, como já bem comentei, em passada oportunidade)

O Agente; Trajano.

Meia idade e fumava.

Olhava-me como que surpreso, talvez me considerando novo demais. Como que estivesse apressado, pulou apresentações. Conferindo o tempo que tinhamos no relógio, foi direto ao ponto;

“Menino (?), é o seguinte” , acendia já um segundo cigarro.

“Você, apesar de analfabeto, tem algum talento”

“…”

Riu e completou; “Estou brincando com você! Li isso que escreveu; que era analfabeto. Achei graça e estou fazendo graça, espero que não se incomode.”

“…”

“Só tem algumas dificuldades, não é de todo analfabeto.”

“… ”

(Não, até então eu não partipava da conversa)

“Vou direto ao assunto; Os textos são bons. Acho que consigo algo para você, consigo mesmo.”, estalava o dedo no cigarro, desfazendo-se da ponta, e completava;

“Mas você vai ter que me ajudar com uma coisa”

Girando a tampa da água mineral, terminei por servir-me no copo. Como o sujeito estacasse, incitei-o;

“Diga”

“Há muitas menções, aqui e ali, diretas e indiretas, a Deus, a coisas do tipo”, soprou fumaça

“Veja bem, Deus não vende, não está na moda. Deus não vende”, completa.

E diz mais;

“Até vende. P’ra crente, p’ra católico. Mas o que você escreve não é p’ra crente, não é p’ra católico. Dá pra fazer mais coisa com isso aí”

Bebi água. Ele continuou.

“Escreve sem isso. Me passa. Arranjo-te alguma coisa. Estou falando pr’a você”

Terminei meu primeiro copo d’agua (quem me conhece, sabe; não bebo; alcool.) Tentava eu construir minha primeira frase;

“Senhor …” , escapou-me o nome

“Trajano” , disse o próprio

“Isso, Trajano … “, concordei com o nome e prossegui

” O que está me pedindo é dificil, muito dificil … ” (e servia-me de mais um copo d´’gua como que servindo-me de whisky)

“Bebo muito dessas fontes. Principios, Máximas. Não posso simplesmente estirpar estas coisas. Fazem parte da minha formação. Fazem mesmo.”

O Agente bufa, impaciente. Ajeita a propria gola da camisa social, expelindo mais fumaça

“Rapaz, falo que consegue. É uma frase aqui, outra ali. O grosso dos textos nada tem a ver com isso. Se tira isso, fica perfeito. Ouça o que eu estou te falando.”

Termino a segunda dose de whisky, digo; d’agua, e respondo, inapelável.

“Não será possível”

O sujeito já saltava da cadeira quando aceno com suposta alternativa, cínico;

“A não ser que”

“Que o que ?”

“Há um jeito.”

“Qual ?”

“Eu poderia, sim, mudar a temática”

“Pode ? Ótimo! Faça isso ! Era disso que eu estava falando!”

“Poderia escrever sobre o senhor”

“Sobre mim ?”

“Sim”

“Mas eu ? Eu sou um desinteressante !”

“Exatamente.”

E assim perdi minha primeira oportunidade de publicar algum material.

Mendacidade dos Homens

Só se é único sendo Pai. E só se é única sendo Mãe. Nem mesmo a condição de Filho outorga tal unicidade última.Um casal pode ter vários filhos. Mas um filho só pode ter um Pai. E um filho só pode ter uma Mãe. Por isso mesmo digo; A Paternidade e a Maternidade elevam o ser humano à condição do ser único.

“Há padrastos e há madrastas!”, avisam-me. Digo-lhes: – Não conceberam. Vejam bem; não conceberam. E por que dei a refletir sobre isso? Por todo lado, vejo o Anti-Pai e a Anti-Mãe. Pululam; saem de sob carros, da profundeza de boeiros urbanos, caem de sobre a copa de árvores, rolam por telhados elevados (quando não adentrando chaminés)

“Não nasci para ser Pai !”, diz o Anti-Pai. “Não nasci para ser Mãe!”, diz a Anti-Mãe. “Quero ter a minha própria vida, ouviu bem? Minha própria vida!”, dizem ambos. Ouço e fico a imaginar o que seria esta tão ufanamente anunciada “própria vida”. Será que o Anti-Concepção (adoto aqui modelo andrógino, que aliás, está também bem na moda) tem como “própria vida” o cursar meia década de faculdade, qualificando-se para ser um bom empregado de alguém?

“Não nasci para ser empregada de marido! Não nasci para ser empregada de filho!” Diz a Anti-Mãe, no momento mesmo em que tem a carteira de trabalho assinada por seu novo amo; o Patrão. “No meu emprego, sou única! No meu emprego, me dão valor! No meu emprego, sou insubstituível!” Diz, orgulhosa e realizada, na exata semana anterior à sua demissão. (Tendo na semana seguinte alguma outra, tão “qualificada” quanto, em seu lugar.)

Esta elevação do trabalho à finalidade última da vida sempre me pareceu uma loucura hedionda. Um erro monumental. Uma aberração. Tem-se como “trabalho” um meio de se produzir, onde também – e, para alguns, principalmente – adquire-se o sustento para a própria vida. Ora, se o sujeito não tem uma vida, vai sustentar o que?

Jesus, atordoado com a mendacidade dos homens, já indagava sobre montes:

“Porque vocês se preocupam exacerbadamente com comida? Por que se preocupam tanto com roupas? Não é a vida mais importante que a comida ? E o corpo mais importante que a roupa?”

Shakespeare, ao lidar com sujeitos fúteis e rasos, dizia:

“As almas desses homens estão nas roupas que vestem”

O Anti-concepção é isto: – Em sua futilidade existencial, o máximo que concebe é a aquisição de um novo modelo de celular, ou de um novo modelo de automóvel. A concepção da vida, o ser único, de fato, ficou em segundo plano. Minto: –  Já não está nem mesmo nos planos do Homem atual.