Nasrani

Houve época em que os Franceses eram chamados “Nasrani” (Nazarenos, em árabe). Os muçulmanos os chamavam desta forma devido a Cristandade alumiada dos Franceses, que lhes conferia confiança inabalável e uma bravura peculiar em batalha. (Falo da época das Cruzadas, uma contra ofensiva Cristã às investidas Muçulmanas. Sim, exatamente como ocorre hoje.)

Alias, devo corrigir o meu paranteses. Disse: “Exatamente como ocorre hoje” e fui impreciso. Na verdade só há ofensiva islãmica, sem nenhuma contra ofensiva a apontar. Nem “Religiosa”, por parte de Cristãos, nem “Estatal”, por parte de algum Estado de Direito.

Enfim, nenhuma, mesmo.

Estão todos preocupados com baleias, árvores e cachorros. Se um homem pode ou não casar com outro homem ou se um homem pode ou não casar com um cachorro, uma arvore ou uma baleia.

Sim, as preocupações atuais são seríssimas. E há, também, de se ter muita tolerância.

Se um sujeito põe uma arma na sua cabeça, rouba o que você trabalhou o mês inteiro para adquirir, e ainda lhe dá umas bofetadas (ou umas facadas), fique bem. Ele foi muito bondoso e não te matou. Exerceu sua justiça social sem executar a pena de morte (a qual eles tem todo Direito. Quando um Estado executa pena de morte é escandaloso. Quando um marginal exercuta pena de morte, é justiça social)

Se você paga mais imposto do que recebe de salário, e num momento de necessidade, não tem acesso a nenhum serviço decente do Estado, fique bem. Há todo um procedimento legal a ser respeitado, para que estas situações sejam corrigidas (não se sabe bem o porque, esses procedimentos nunca são executados, por ninguem)

O seu problema, meu amigo, está no pedaço de carne que você come. Ou no cigarro que você fuma. Não está num Estado corrupto que te suga até o seu ultimo fio de cabelo, nem em grupos que, para prosperar e expandir, visam declaradamente te destruir.

Não.

Para que exaspero ? Você não quer se tornar um “intolerante”, ou um “fundamentalista”.

Óbvio que não.

Seja manso. Mas não um manso genuíno, o sujeito que vive em paz consigo e com os outros, pois de fato vive em justa paz.

Não.

Seja um manso cheio de ressentimentos, consigo e com os outros, por saber, em seu intimo, que vive uma fraude e não ter capacidade alguma de reagir a isso.

Sei que o tom do texto é hostil, parece provir de sujeito aviltado, talvez confuso e desconexo. Mas nem sempre o falar bem comunica coisas más. Há quem entenda sutilezas, há quem não entenda sutilezas. E, ao meu ver, os aviltados são todos. (os que entendem e os que não entendem)

Lamento pelos Franceses. De respeitados “Nasrani”, à presas fáceis, dóceis e risíveis. Isso após séculos de auto-degradação e suicidio Cultural (exatamente como se faz por estas Terras, e teremos exatamente o mesmo fim)

Imigração Européia, Invasão Européia.

Deparo-me com Notícia (acrescida de video; entrevistas.)

“Na ilha Grega de Lesbos, refugiados árabes estão a invadir casas e a destruir propriedade pública. Habitantes nativos passam por agonia indescritível.”

Digo-lhes a verdade:

O que chamam Imigração Européia, chamo Invasão Européia.

Cavalo de Troia do século XXI.

“Somos todos Humanidade única e homogênea. Todos iguais. Todos, caminhando entre flores com balão de ar à mão, em forma de coração”

Não.

Há diferenças abissais entre povos e culturas. Tradições, hábitos, visões de mundo, mentalidades.

Um lado está avançando, sabendo perfeitamente bem o que está fazendo e com que finalidade. (Ainda que usando e vitimizando seus próprios cidadãos para isto)

E o outro está entretido com cinemas, seriados, músicas, obscenidades sexuais, toda espécie de distração baixa e medíocre.

Um dia acordarão as 5 da manhã para rezarem voltados à Mecca. Olharão para mulher e ela estará de burca. Pensarão, então, que estão em algum capítulo de seriado americano.

Utilitários:

Abaixo vai trecho presente em todas as orações diarias dos muçulmanos, para os senhores irem decorando. Sim, porque o Brasil é um destes países abertos a imigração desenfreada de “exilados” do Oriente Médio.O Islã cresce em favelas de São Paulo e o numero de Mesquitas pelo país aumenta anualmente. Há projetos que incluem o Islã no Ensino Público, sob o pretexto de, com isso, diminuir o preconceito contra muçulmanos (Os senhores já viram um muçulmano ser vítima de algum preconceito no Brasil? Nem eu. Mas o subterfugio é o mesmo. A ladainha é a mesma. E sempre funciona.)

Surata de Abertura do Alcorão:

“Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso
Louvado seja Deus, Senhor do Universo
O Clemente, O Misericordioso
Senhor do Dia do Juízo
Só a Ti adoramos, e só de Ti imploramos ajuda
Guia-nos à senda reta,
À senda dos que agraciastes,
Não à dos abominados, e nem à dos extraviados”

Divirtam-se.

Considerações sobre a Imigração na Europa

Considerações sobre a Imigração na Europa;

I – Condenados devem ser os países do qual os emigrantes estão fugindo. Não para o qual estão fugindo.

II – É a Síria que deve promover dignidade de vida para o cidadão do seu país. Se não o faz, a ponto deste cidadão ter de empreender uma emigração perigosa, é ele o país criminoso. Cito Síria como exemplo, e o mesmo é dito com relação a Países Genocidas Africanos do qual estas pessoas fogem, bem como Países assolados por guerras civis no Oriente Médio.

III – Não há como a Europa receber todas estas pessoas sem grande impacto economico e social. Muitos dos países Europeus já sofrem de miseria crescente por não conseguirem absorver essas pessoas. Se continuar assim, a Europa se tornará tão precária quanto os países do qual estas pessoas fogem.

IV – Nota-se a facilidade com que a midia manipula opiniões. Mostra o drama dos emigrantes e atribuem aos países Europeus tais dramas. Quando na verdade o motivo da fuga é o caos dos seus países de origem (se citam isto, citam muito de passagem. A enfase fica toda na politica de imigração Europeia, culpando-a). Não se cobra destes países criminosos, que promovem a debandada de seus próprios cidadãos, absolutamente nada. Mas dos países Europeus, cobra-se absolutamente tudo.

V – Resultado; Não vejo ninguém falando contra os Países Genocidas Africanos ou o Estado Islãmico que devasta a Síria. Mas vejo todos comovidos, dando cambalhotas, contra países Europeus que tentam de alguma forma controlar a imigração. Vejam bem; Se estes países fossem tão ruins, “neonazistas” (sic), como é dito, ninguém enfrentaria a morte por milhares de quilometros, em fuga, logrango chegar até eles.

O problema da emigração é muito simples; Se a pessoa nasce em um país decente, não precisa emigrar para lugar nenhum. Se a Síria fosse um bom lugar par se viver, ninguém emigraria de lá para Alemanha.

Ou você já viu um Alemão enfrentando rotas de morte para chegar à Síria ?

Portanto, é a Síria que deve ser condenada por sua desgraça. Não a Alemanha,por sua prosperidade.

A culpa da desgraça dos emigrantes está na África e está no Oriente Médio. Não está na Europa.

Mas nesse mundo vê-se tudo o contrário, sempre. Quem tem mérito é culpado e o desgraçado é exaltado.

Agente Literário

Domingo encontrei-me com um Agente Literário.

O sujeito lera meus textos em um site na internet e, algo interessado, convidou-me para uma conversa a respeito.

Ainda que embaraçado, aquiesci e compareci. Digo embaraçado porque, como todos sabem; Sou analfabeto. E mais; Mal consigo expressar-me verbalmente (segundo avaliação da jovem fonoaudiologa do meu filho, como já bem comentei, em passada oportunidade)

O Agente; Trajano.

Meia idade e fumava.

Olhava-me como que surpreso, talvez me considerando novo demais. Como que estivesse apressado, pulou apresentações. Conferindo o tempo que tinhamos no relógio, foi direto ao ponto;

“Menino (?), é o seguinte” , acendia já um segundo cigarro.

“Você, apesar de analfabeto, tem algum talento”

“…”

Riu e completou; “Estou brincando com você! Li isso que escreveu; que era analfabeto. Achei graça e estou fazendo graça, espero que não se incomode.”

“…”

“Só tem algumas dificuldades, não é de todo analfabeto.”

“… ”

(Não, até então eu não partipava da conversa)

“Vou direto ao assunto; Os textos são bons. Acho que consigo algo para você, consigo mesmo.”, estalava o dedo no cigarro, desfazendo-se da ponta, e completava;

“Mas você vai ter que me ajudar com uma coisa”

Girando a tampa da água mineral, terminei por servir-me no copo. Como o sujeito estacasse, incitei-o;

“Diga”

“Há muitas menções, aqui e ali, diretas e indiretas, a Deus, a coisas do tipo”, soprou fumaça

“Veja bem, Deus não vende, não está na moda. Deus não vende”, completa.

E diz mais;

“Até vende. P’ra crente, p’ra católico. Mas o que você escreve não é p’ra crente, não é p’ra católico. Dá pra fazer mais coisa com isso aí”

Bebi água. Ele continuou.

“Escreve sem isso. Me passa. Arranjo-te alguma coisa. Estou falando pr’a você”

Terminei meu primeiro copo d’agua (quem me conhece, sabe; não bebo; alcool.) Tentava eu construir minha primeira frase;

“Senhor …” , escapou-me o nome

“Trajano” , disse o próprio

“Isso, Trajano … “, concordei com o nome e prossegui

” O que está me pedindo é dificil, muito dificil … ” (e servia-me de mais um copo d´’gua como que servindo-me de whisky)

“Bebo muito dessas fontes. Principios, Máximas. Não posso simplesmente estirpar estas coisas. Fazem parte da minha formação. Fazem mesmo.”

O Agente bufa, impaciente. Ajeita a propria gola da camisa social, expelindo mais fumaça

“Rapaz, falo que consegue. É uma frase aqui, outra ali. O grosso dos textos nada tem a ver com isso. Se tira isso, fica perfeito. Ouça o que eu estou te falando.”

Termino a segunda dose de whisky, digo; d’agua, e respondo, inapelável.

“Não será possível”

O sujeito já saltava da cadeira quando aceno com suposta alternativa, cínico;

“A não ser que”

“Que o que ?”

“Há um jeito.”

“Qual ?”

“Eu poderia, sim, mudar a temática”

“Pode ? Ótimo! Faça isso ! Era disso que eu estava falando!”

“Poderia escrever sobre o senhor”

“Sobre mim ?”

“Sim”

“Mas eu ? Eu sou um desinteressante !”

“Exatamente.”

E assim perdi minha primeira oportunidade de publicar algum material.

Mendacidade dos Homens

Só se é único sendo Pai. E só se é única sendo Mãe. Nem mesmo a condição de Filho outorga tal unicidade última.Um casal pode ter vários filhos. Mas um filho só pode ter um Pai. E um filho só pode ter uma Mãe. Por isso mesmo digo; A Paternidade e a Maternidade elevam o ser humano à condição do ser único.

“Há padrastos e há madrastas!”, avisam-me. Digo-lhes: – Não conceberam. Vejam bem; não conceberam. E por que dei a refletir sobre isso? Por todo lado, vejo o Anti-Pai e a Anti-Mãe. Pululam; saem de sob carros, da profundeza de boeiros urbanos, caem de sobre a copa de árvores, rolam por telhados elevados (quando não adentrando chaminés)

“Não nasci para ser Pai !”, diz o Anti-Pai. “Não nasci para ser Mãe!”, diz a Anti-Mãe. “Quero ter a minha própria vida, ouviu bem? Minha própria vida!”, dizem ambos. Ouço e fico a imaginar o que seria esta tão ufanamente anunciada “própria vida”. Será que o Anti-Concepção (adoto aqui modelo andrógino, que aliás, está também bem na moda) tem como “própria vida” o cursar meia década de faculdade, qualificando-se para ser um bom empregado de alguém?

“Não nasci para ser empregada de marido! Não nasci para ser empregada de filho!” Diz a Anti-Mãe, no momento mesmo em que tem a carteira de trabalho assinada por seu novo amo; o Patrão. “No meu emprego, sou única! No meu emprego, me dão valor! No meu emprego, sou insubstituível!” Diz, orgulhosa e realizada, na exata semana anterior à sua demissão. (Tendo na semana seguinte alguma outra, tão “qualificada” quanto, em seu lugar.)

Esta elevação do trabalho à finalidade última da vida sempre me pareceu uma loucura hedionda. Um erro monumental. Uma aberração. Tem-se como “trabalho” um meio de se produzir, onde também – e, para alguns, principalmente – adquire-se o sustento para a própria vida. Ora, se o sujeito não tem uma vida, vai sustentar o que?

Jesus, atordoado com a mendacidade dos homens, já indagava sobre montes:

“Porque vocês se preocupam exacerbadamente com comida? Por que se preocupam tanto com roupas? Não é a vida mais importante que a comida ? E o corpo mais importante que a roupa?”

Shakespeare, ao lidar com sujeitos fúteis e rasos, dizia:

“As almas desses homens estão nas roupas que vestem”

O Anti-concepção é isto: – Em sua futilidade existencial, o máximo que concebe é a aquisição de um novo modelo de celular, ou de um novo modelo de automóvel. A concepção da vida, o ser único, de fato, ficou em segundo plano. Minto: –  Já não está nem mesmo nos planos do Homem atual.

Clássico esquecimento Nacional

Estava eu conversando com um grande amigo meu (dada a reincidência desta frase como prólogo, noto que nada escreveria sem intervenção providencial de amigos providenciais) Conversávamos sobre Futebol; mais precisamente futebol carioca. Ele: – Flamenguista. Eu: – Tricolor. (Tricolor; o Fluminense, do Rio de Janeiro. O resto é time de três cores)

Apesar de Flamenguista, Pedro Botelho (escrevo Pedro, mas não é Pedro. Acrescento Botelho, e não sei bem o porque) é um sujeito razoável, de extremo bom senso. E dizendo isto, repito: – Apesar de Flamenguista. Sendo assim razoável e de extremo bom senso, Pedro Botelho encontra dificuldades em seus debates, quando confrontado em grupo de amigos. Contava-me do alarde que causou ao anunciar, francamente e em publico, que a verdadeira rivalidade do futebol carioca gira em torno de Flamengo e gira em torno de Fluminense; – o mundialmente conhecido FlaxFlu – e que esta rivalidade ideal não se deve apenas à perfeita adequação estilística, mas sim a uma vasta tradição de décadas a fio.

“Miceli, nada disse demais”, dizia-me Botelho, catando queijo e azeitonas com o palito de dentes, protagonizando o clássico petisco carioca. “Disse apenas que a rivalidade atual com o Vasco, exacerbada na década de 90, é coisa atual, é coisa nova. Tradicionalmente a rivalidade maior do Rio de Janeiro sempre foi – e é – o FlaxFlu. Nisso, todos saltaram sobre a mesa, como que procurassem levar-me ao sanatório. Diga-me, Miceli: – Teria falado eu algum impropério?”

Expliquei então que concordava. Que à década de 90, com a crise maior do Fluminense Football Club (que desfilava pelas várzeas do país enfrentando times de bombeiros, arquitetos, auxiliares administrativos, etc., etc.) coincidindo com a melhor fase do Vasco da Gama (que conquistava a taça Libertadores da América e depois era devidamente mandando para o Espaço com gol contra a própria meta empreendido pelo jogador Nasa – e aqui não há trocadilhos) causou este exaspero de rivalidade atual entre Flamengo e Vasco, também alimentado pelo Lobby do então (e atual) dirigente do Vasco, Eurico Miranda. Mas que nem sempre foi assim.

“Sim, sim. Parece-me óbvio… e foi o que eu disse. No mais, há literatura, há musicas, e há o próprio Hino popular do Clube de Regatas do Flamengo que nos diz: – “No FlaxFlu, é um Ai Jesus!” – reiterou. Acenei então à Botelho uma impressão que parece-me geral, não circunscrita ao âmbito futebolístico:

– Botelho, veja bem: – Parece-me que, para os idiotas, o mundo foi criado e fundado no dia do nascimento deles. Se viveram a década de 90, só houve a década de 90. Pais e Avós nunca existiram. Se sim, foi outra modalidade de existência.O mundo foi inaugurado com eles mesmos, e morrerá com eles.
(Botelho olhou-me como que aquiescesse, ele e uma azeitona final que ia-lhe à boca) – De fato o mundo morrerá com gente como essa. Um povo sem memória é incapaz de gozar de herança alguma.

Chegou então a conta; a conta do bar. Conta de queijinhos, de azeitonas e de cervejas, que temperavam a conversa até então. Botelho deu a revirar os próprios bolsos, inclusive o bolso frontal da blusa que usava. “Ora, não é possível…”. Não atentei para o que sucedia. A frase de Botelho ainda reverberava em minha cabeça: – “Um povo sem memória é incapaz de gozar de herança alguma” Então, eis que Botelho, vasculhando ainda outra vez os bolsos, concluiu, retirando-me do transe meditativo: – “Mas que diabo! Esqueci-me da carteira!”

Fonoaudióloga

Hoje pela manhã tive uma experiência singular e pitoresca: – Levei meu filho à uma fonoaudióloga. O que há de pitoresco em levar o filho à fonoaudióloga? Realmente, quanto ao levar, não há nada pitoresco. Quanto ao aguardar na sala de espera, não há nada pitoresco. Quanto ao pagar a consulta e traze-lo de volta, não há nada de pitoresco. Mas o fato digno de ser retratado foi: – Fui convidado à participar da sessão.

“Vamos fazer! É fácil! Olha, o Papai vai fazer também!” A doutora repetia o movimento com um cínico sorriso feminino nos lábios (há certos sorrisos que só uma mulher é capaz de realizar) “O Papai vai fazer também, e você faz igual ao Papai ! Igual o Papai e igual a Tia!”

Bom, fui lá fazer eu os exercícios. Matéria: – Dicção. Instrumentos: Caneta e uma rolha de silicone (?) Foram-me dadas frases (supostamente eu deveria pronuncia-las com caneta entre os dentes e, tendo conseguido, com rolha de silicone entre os dentes) Fiz tudo o que tinha que fazer, confiante no que, para mim, era verdade conhecida e inquestionável: – “Sei falar. Será fácil, pois bem sei falar. Falo desde os 2 ou 3 anos.”, pensava.

Não muito tempo atrás, quando peguei Romances de Machado de Assis para ler e poemas de Augusto dos Anjos para bisbilhotar, deparei-me com uma colossal decepção. A cada três páginas, esbarrava em 10 ou 15 palavras que não conhecia. Olhava capas e contra-capas dos livros, e perguntava-me: – “Em que diabo de idioma isto está escrito?” Ao certificar-me  que foram escrito mesmo em minha suposta Língua Materna – O Português – cheguei à terrível e inevitável conclusão: – “Sou um analfabeto.” E mais: – “Sequer tenho Língua Materna, sou um sujeito desprovido de Idiomas”

Vinha digerindo essa verdade última e inconveniente, recém descoberta, e posso até dizer que dei a conformar-me. Mas, quanto ao falar… Bem, eu ainda acreditava poder falar com alguma acuidade. Mas a jovem fonoaudióloga tratou de demolir minha ultima certeza existencial:

– Pa-Pá-i (tento reproduzir aqui a acentuação peculiar da doutora, chamando-me atenção), “não é assim que se fá-az” (novamente)
– Como não?
– Não é assim, Papai. É assim. (fazendo algo exatamente igual ao que eu havia feito, mas não para ela. Fazia-me repetir exaustivamente, mantendo o sorrisinho feminino inicial) Papai errou novamente!

Era só o que me faltava … Não saber ler e escrever era um tanto quanto tolerável, dado minha pouca prática à época juvenil. Mas falar? Quem não sabe falar? Pelo parecer da doutora, não sei. Não sei e, como meu filho em tenra idade, preciso de consultas. Intensas e numerosas consultas.

Mas a doutora não foi de todo ruim; fez-me um pacote e deu-me um desconto:

– Façam as aulas Pai e filho… (sorriso convidativo e anotando prescrições) Para o filho cobro metade, pois é fofinho… (adula o pequeno) … Já para o Pai é integral.