Prodígio Indecoroso

A violência Brasileira segue prodigiosa; Conseguiu matar até mesmo a voz do Harry Potter no Brasil.

O mago tem umas 170 vozes pelo mundo, mas só a brasileira pode dizer ter sido assassinada. Ou pior, não pode dizer mesmo mais nada.

Meus pesames à familia do Policial e Dublador. O rapaz tinha inúmeros talentos, mas nenhum deles era maior que sua Honra, e morreu corajosamente, à bala, amando o Brasil.

Nota: Nunca fui um fã de Harry Potter, mas verei os Oito filmes do mago em homenagem ao rapaz de morte gloriosa. (D’us me dê paciência para tal empreendimento)

Retificação: Ok, talvez eu só veja uns quatro ou três filmes da série. Ou dois. Bom, vendo um a homenagem já está feita.

Antropocêntrico

Dentre as muitas coisas das quais sou acusado – ou até mesmo diretamente condenado – pelos textos que publico, a mais curiosa, sem dúvida nenhuma, é a seguinte: – “Miceli, o senhor tem uma visão antropocêntrica do mundo.” O termo é mesmo este: – Antropocêntrico. Em outras palavras: – “Você vê o mundo só pelo lado dos Humanos.” (vou repetir a frase porque é de uma abstração sensacionalista cativante) – “Você vê o mundo só pelo lados dos Humanos”

Bom, eu adoraria ver o mundo do ponto de vista de uma baleia, de um elefante, de uma girafa ou de um cachorro. Mas pergunto a vocês: – Já viram um cachorro, uma girafa, um elefante ou uma baleia expressarem sua visão de mundo?

“Veja bem; esse Humanos… Caçar Humanos nas aldeias deles não está certo, não está certo!”, diz o Leão ativista, a respeito dos seus que devoram criancinhas Africanas em aldeias. “Alias, não só Humanos, até porque estes são a minoria de nossas vitimas. E o Direito das zebras? E dos antílopes? Está certo mata-los para nos alimentarmos?”, completa o Leão ativista, exaltando-se finalmente. Emocionados, os outros Leões aplaudem. Assinam tratado, comprometendo-se a passarem fome pelo resto de suas vidas. Isto pelo Direito dos antílopes e das zebras (Direitos estes que não existem, mas resolveram respeitar como se existissem)

Minha gente, eu nunca vi uma coisa dessas. E acho mesmo que nunca vou ver, um grupo de animais lamentando pela vida de outros animais ou até mesmo pela vida de Humanos. Assim como nunca verei a “Mãe Natureza” lamentar-se após um terremoto qualquer matar algumas centenas de milhares de pessoas: –  “Assim não, senhor terremoto ! Assim não !” (adianto que os mais geniais atribuirão terremotos ao “Aquecimento Global” provocado pelos Homens)

Relendo este texto, tenho tênue sensação de estar escrevendo para crianças. Majoritariamente escrevo para adultos; os adultos leem e compreendem muito bem. Mas, por vezes, tenho mesmo que escrever para crianças.

Diabas do Flamenco

Nada mais antigo que o passado recente. A frase é de Nelson (o Rodrigues), mas aproprio-me, pois é bem verdade. Tenho dado a comentar grandes causos, muitos protagonizados por grandes amigos, cujos os nomes evidentemente não uso os exatos, e sim aproximados. Assim foi com Horácio, Otacílio, Otávio, Beatriz, Augusto, etc., etc.

Ontem esbarrei-me com este último: – Augusto. (O que é músico, o que é violonista; Violonista Erudito) Estava eu no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, rua Senador Dantas, fazendo não sei o que. Alias, lembro-me: – Estava eu a caminho – ou retornando – da algo famosa “Livraria Cultura”.

Como sempre, minhas conversas com Augusto pedem uma ou duas xícaras de Café. É como eu disse, na passada ocasião em que citei o músico: – “Na verdade, não somos amigos de contato frequente. É uma daquelas amizades que se conserva a distância. Você sabe que pode aciona-la a qualquer momento, mas não aciona, por preguiça ou algo do tipo” É isto mesmo. E este raro contato nos confere longas conversas.

Enfim, estávamos lá conversando. Augusto falava-me da péssima Audição Musical da qual participou, ao fazer um teste para tocar em uma peça de teatro. O nome da peça: – Diabas do Flamenco (?) “Pagariam bem, Miceli. Pagariam bem”, Augusto apressou-se em explicar.No mais, ele tocaria; apenas tocaria violão, nos bastidores.

Mas o fato é que nem chegou a tanto. Motivo? Reprovado no teste. Motivo da reprovação? Delicado. Explico: – O Sujeito, responsável pela aplicação do teste, considerou Augusto um tanto quanto ‘delicado’ demais, na execução das peças. Quem conhece Flamenco, sabe: – É um estilo um tanto quanto agressivo no violão. Há uma técnica, o “Rasgueado”, que se não executada com certa agressividade, não soa bem. Bom, pelo menos não soou tão bem aos ouvidos do “auditor”, que segundo Augusto, esbravejava: – “Toque este violão que nem Homem, meu rapaz !”

Infelizmente para Augusto, isso não foi possível. Mas surpreendentemente, ele não estava triste. E isso sim, me intrigou enormemente:

– Para quem perdeu uma boa oportunidade (pausa para queimar os lábios no café) Ainda mais deste modo (pausa para refazer-me) até que você está muito bem…
– Sim, Miceli, estou bem, muito bem. E você não imagina o motivo!
– Não mesmo. (estranhando o otimismo do rapaz)
– Lembra-se da menina? Da menina da Livraria, na Tijuca; livraria Saraiva!
– O Pavão? (lembrando-me)
– A menina (corrigindo-me)
(não entendi e tratei de rememorar-lhe o passado recente) – Ora, da última vez você estava era deprimido… E por este mesmo motivo!
– Sim, Miceli. Mas as coisas mudam! As coisas mudam! (continuei sem entender. Ele prosseguiu) Você lembra? Ela disse: – ‘Gostei de você. Gostei dos seus traços finos, dos seus trejeitos femininos.’ Lembra disso, não lembra? (falava e exalava euforia)
– Sim, lembro (como poderia esquecer?)
– E lembra também que a menina era … lésbica. A menina era lésbica, não lembra?
– Sim. E por isso mesmo gostou de seu jeito afeminado…
– …
– Mas continue… (percebendo certo desconforto por minha colocação acurada)
– Pois então; ela continua me achando uma graça, mas adivinhe só: – Não é mais lésbica!(Estaquei) – Como assim, não é mais Lésbica?!
– Ora: – Era, – e não é mais!
– Como “Era e não é mais”?
– Miceli, eu sou músico, não ideólogo de Gênero! O que sei é que me ligou; a menina me ligou! E disse mesmo assim… Olha; falou assim: – ‘Augusto, quero te ver… Eu não sou mais Lésbica, Augusto, e quero te ver… Eu não sou mais Lésbica!’

Caim e Abel

Todos aqui, religiosos e não religiosos, curiosos ou até mesmo não curiosos, devem conhecer a História de Caim e Abel; A História do primeiro Assassínio da Humanidade, segundo as Escrituras Sagradas.

Quando converso com amigos sobre algo que remeta às Escrituras, encorajo-lhes a aprender o Hebraico – Idioma em que grande parte dos textos foram escritos – pois há todo um arcabouço de nuances que se perde com a tradução. Agora, aqui mesmo, darei um exemplo curioso, que aparece nesta História do Assassinato;

Após Caim ter assassinado o irmão, foi-lhe dito por D’us;

“Ouço o sangue do teu irmão clamar por mim desde a superfície da Terra”

Bom, esta é a tradução.

Mas na verdade, não há “Sangue”, no singular, em Hebraico. E sim “Sangues”, no plural (Demê).

“Ouço os sangues do teu irmão clamarem por mim desde a superfície da Terra”

Os Rabinos dão uma interpretação interessante;

Dizem que Caim foi condenado não só pela morte de Abel, mas também pelas incalculáveis gerações que nunca vieram a existir, devido sua morte.

Ou seja, é ensinado aí um principio importante;

Muitas vezes não compreendemos como um pequeno ato poderia ter uma implicação grandiosa para nós. Uma pequena mentira, uma pequena displicência, uma ação mal colocada ou inação.

Quantas vezes uma pequena mentira vira um grande imbróglio ? Uma pequena displicência, um grande acidente ? Um ação mal colocada, um ato falho. A inação, a perda de uma oportunidade que renderia inimaginaveis frutos ?

Nosso horizonte de consciência é por demais limitado e raciocinamos apenas com os dados que já temos. E os dados vindouros, o que estão por vir e não conhecemos ? Fogem ao nosso escopo, totalmente. Não temos como mesurar todas as implicações diretas e indiretas dos nossos atos.

No assassinato de Abel por seu irmão Caim, tal como exposto na Biblia Hebraica, está claro;

Quem mata uma vida, mata centenas de milhares de vidas.

Quem comete um ato, ainda que dos menores, interfere no Todo, de modo incompreensível e imensurável.

Subterfúgio Incorreto

Vejo muitos escandalizados ao ver um video, de circulação intensa na Rede Social Facebook, onde frequentadores de Praias Cariocas condenam a falta de educação de determinados grupos, a falta de modos e de trato nas areias das praias, e isto já na década de 80. Escandalizados por entender que estas críticas vinham de “Classes Dominantes” contra as “Classes menos favorecidas”, apressam-se em exclamar;

“Nazismo ! Fascismo ! Preconceito !”

Malgrado uma ou outra colocação realmente obtusa por parte dos entrevistados, o que digo é o seguinte;

As pessoas desconhecem a própria Lingua e se apegam à simbolos de chavões.

Preconceito é ter um conceito prévio sobre algo sem o devido exame crítico. Você desconhece do que fala mas já tem um conceito sobre isto, de antemão. (Seja por inclinação pessoal subjetiva, por herança cultural, etc)

No caso do vídeo, dos entrevistados cariocas da década de 80, sejam as opiniões acertadas ou não, elas não advem de preconceito. Muito pelo o contrário; São opiniões de pessoas que experimentam a situação, inumeras vezes, pessoalmente, e disso tiraram uma conclusão, um conceito pessoal.

O Conceito é; Não suportam falta de educação e imundície.

E você ? Tolera falta de educação e imundície ?

Se disser que não, chamo-o de preconceitoso, rotulando-o, e assim fujo da discussão de conceitos para um ataque pessoal, que estingue a discussão in limine.

É assim que o subterfúgio do “Politicamente Correto” funciona.

Nota I

Mal sabiam os entrevistados que, no correr de poucos anos, o simples desconforto da má educação evoluiria à ostensivos arrastões.

Nota II ( E mais importante )

As pessoas tem que parar com esse raciocinio distorcido e mentiroso de que o bolso faz o homem. Já conheci inumeros “pobres” com excelente educação. E inumeros ricos estupidos e imbecis.

Quando estou mal financeiramente, não me torno um animal. Quando estou muito bem financeiramente, não me torno um gentleman. Sou o que sou.

Esse retardo mental, instaurado por decadas de marxismo cultural, retira o foco da real discussão – A luta contra a mediocridade, o desrespeito, a violência – e trasforma tudo em luta de classes, admitindo, automaticamente, que todas essas mazelas sejam próprias daquele que é pobre.

Observem bem;

Estes, que pretensamente advogam contra o preconceito, são os primeiros a atribuir aos pobres todas estas podridões existenciais, o que definitivamente não é verdade. Tanto as mazelas como as virtudes são intrinsecas a todo ser humano, independente de classe ou da cor.

Mas a jogada é esta; Atribuir as mazelas a uma classe, a uma cor. E quando você fala contra as mazelas, eles dirtorcem, dizendo que você fala contra a classe e fala contra a cor, de modo a te taxar como “intolerante” e te extirpar de todo debate como “o vilão”.

Acordem.

Manicômio com Fronteiras e Bandeira

Só em um país onde a inversão é completa, em um manicômio com fronteiras e bandeira, o “Justiceiro” é visto com maus olhos e o marginal é visto com bons olhos.

Na exibição de matéria que cobria a retaliação de moradores à bandidos que cometiam arrastões na cidade do Rio de Janeiro, assisto dois apresentadores da Rede Globo de Televisão (que provavelmente moram em condominios que mais parecem prisões de segurança máxima) apressando-se em julgar, condenar e até mesmo estipular pena (“Tem que ser presos!”) a este grupo de moradores que resolve se reunir para reagir à agressões constantes que não enfrentam a mais minima represalia por parte das Autoridades Constituidas.

Mas na hora de falar de bandidos, marginais, assassinos e estupradores usam os termos como “Menores”; ou “Suspeitos”; Afirmam e reafirmam que os procedimentos com relação a eles tem que ser muito cuidadosos, respeitosos e na letra fria da Lei.

Que pressa em condenar o povo já condenado ! Que hesitação para chamar de vagabundo o vagabundo !

Quem defende bandido é bandido. Quem defende vagabundo é vagabundo. E quem dá ibope para uma emissora corrupta como essa, investe em uma emissora corrupta como essa. Portanto, é conivente (além de idiota)

Enfim, sem querer, num arroubo breve de revolta – do qual me desculpo, mas não completamente – encontrei a denominação perfeita para o Brasil;

Um Manicômio com fronteiras e bandeira.

Cultura da Neutralidade

A Cultura atual da neutralidade, do não tomar posição, do não tomar partido, de assistir todo o desenrolar da História do alto d’um palco de indiferença ilusória lustrado de afetação, me parece – além de covarde – uma atitude completamente obtusa e irracional.

Falo do famoso “ficar em cima do muro”; do agradar “Gregos e Troianos”.

Pois eu lhes digo;

Em uma Guerra, quem fica no meio do caminho, é alvejado pelos dois lados.