Credulidade Beócia II

Há dias compartilhei uma noticia saída na Folha de São Paulo, em que um estudo recente (mas não tanto) da NASA confirma; As calotas Polares estão ganhando gelo, e não perdendo, como foi alarmado nos ultimos anos (talvez decadas)

Diante disso, tripudiei e fiz troça dos pretensos cientistas, de suas exatidões sacrosantas e verdades inquestionaveis. Mas não apenas isso; Dei a entender que estes equivocos monumentais na verdade não tratavam-se apenas de equivocos, de erros de calculo; Havia algo por trás destas pretensas pesquisas e todo o clamor midiático que se faz sobre elas, com sua divulgação insistente e quase alucinante.

Muitos (provavelmente amantes da Ciência que ainda guardam miniaturas de dinossauros nos quartos) ficaram indignados com o que consideraram “deboche” de minha parte. Um deboche injustificavel e cruel com os paladinos da verdade universal que, se erraram, certamente irão se corrigir. Pois Ciência, disseram eles, dentre outras coisas, trata-se de tentativa e erro!

Pois bem; O que essas pessoas ignoram ou perdem de vista é o uso Politico que se fez deste alarmismo mundial acerca do aquecimento Global.

Sob o pretexto de atender à exigencias urgentes para arrefecer o processo de aquecimento e as agressões ao meio ambiente que estariam pretensamente provocando-o, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou tratados com países nos quais estes se submetem à atender diversas exigências reguladoras da entidade.

Ora, para a ONU ter o poder de fiscalização sobre os paises e também meio para puni-los caso descumpram acordos, ela tem de ser incubida de altas capacidades administrativas e até mesmo policiais (Tendo seu proprio Exercito como de fato já o tem)

Ou seja; É o Advento de uma força única e Central que se sobrepõe à soberania das Nações.

Se os países obedecem a Tratados Internacionais, estes assinados em cabinetes recônditos na Bélgica sem nenhum conhecimento popular, sem passar por votações em assembeias nos respectivos países participantes, sem absolutamente nenhuma avaliação, então há um poder que é exercido de cima para baixo e que atropela completamente a Legalidade dos Estados de Direito participantes.

Quanto a questão de filmes cataclismicos e alarmismo midiático, isto ajuda a dar à suposta previsão dos “Cientistas” um ar de veracidade e inevitabilidade. Tanto se demonstra os supostos sintomas do aquecimento global e suas provaveis consequencias que o aquecimento em si passa como verdade conhecida e inquestiovanel.

A pesquisa da Nasa citada, que demonstra as calotas polares estarem na verdade ganhando gelo e não perdendo, é do ano de 2008. Portanto, não é nova. E digam-me quando veio à grande midia? Apenas agora, em 2015, com todos estes tratados interessantes à ONU já assinados. Coincidência?

É por acreditar-se neste caminhão de coincidências que intitulei o então escrito passado como “Credulidade Beócia”.

Credulidade Beócia

“Antártida está ganhando gelo, não perdendo, afirma estudo da NASA. No período de 1992 a 2008, o acumulo de gelo implicou em uma redução de 0,23mm no nível dos Oceanos ao ano, fenômeno não esperado para um planeta dito em aquecimento.”

– Folha de São Paulo, 6 de Novembro de 2015.

Mais uma vez, os depositários do conhecimento universal irrevogável e indiscutivel deram com os burros n’água.

Falo dos “Cientistas”, evidentemente.

“Mas Miceli, eu aprendi na escola que tudo o que os Cientistas dizem é empiricamente comprovado, que pode ser testado, e que suas estimativas são fundamentadas em observações e calculos exatíssimos! Eles tem dito por decadas que o planeta está aquecendo, as geleiras derretendo, que os mares invadirão as costas! Fizeram filmes, Miceli! Veja bem! Fizeram filmes! E tinham ondas enormes nos filmes, e.”

Que credulidade beócia, meu rapaz.

Midrashê Shabat V

No Midrashê Shabat desta semana (já o Midrashê Shabat número V), falarei sobre uma parábola muitas vezes mal compreendida, dita por Jesus. Ela contem em si valores morais contraditórios, só resolvidos diante de uma visão mais profunda do que ele pretendeu ensinar. A parábola está no Livro de Lucas, Capítulo 16, versículos 1 a 8, que diz:

“Um Homem Rico tinha um administrador que foi denunciado por dissipar seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: – ‘Que é isso que ouço dizer de ti? Presta contas de sua administração pois já não podes ser administrador.’ O Administrador então refletiu: – ‘Que farei, uma vez que meu senhor me retire a administração? Cavar? Não tenho força. Mendigar? Tenho vergonha. Já sei o que farei para que – uma vez afastado da administração – tenha quem me receba na própria casa…’

Convocou então os devedores do seu senhor, um a um, e disse ao primeiro:

‘Quando deves ao meu senhor?’
‘Cem barris de óleo’, respondeu ele.
Disse então; ‘Toma tua conta, senta e escreve depressa cinquenta.’

Depois disse a outro:

‘E tu, quanto deves?’
‘Cem medidas de trigo’, respondeu.
Ele disse; ‘Toma tua conta e escreve oitenta.’

E o senhor louvou o administrador desonesto por ter agido com prudência.”

Louvou o administrador desonesto por ter agido com prudência? Bom, há aí uma contradição insolúvel, se tivermos à vista apenas valores Morais. Mas como já disse em outras oportunidades, Jesus usa de parábolas para transmitir conceitos espirituais mais profundos, e alcançando a essência de seus ensinamentos, vê-se claramente: – Não há contradição alguma. Explico-me a seguir.

Com a figura do administrador Infiel, Jesus simboliza os filhos do Homem, que receberam para si uma grande riqueza (A consciência e todas as faculdades que o aproximam de D’us, como sua Imagem e semelhança) e não foram dignos dela. Todos, desde Adão, estão em clara e manifesta dívida, todos foram e são infiéis com o que receberam.

“Mas Miceli, perá lá! Você estava na ocasião para saber? Testemunhou as outras gerações?”

Diria eu que testemunho esta geração e isto já me é suficiente. Não há ninguém que não tenha usado mal suas faculdades, que jamais tenha mentido, maldito alguém (maledicência), desejado algo que não é seu, desejado o mal à alguém, etc., etc. Portanto, estamos bem longe da orientação divina que é: – “Sede santos pois Eu sou santo.”

A dívida, convenhamos, é escabrosa. E evidentemente ela será cobrada no tempo oportuno. Diante disto, o que o devedor que é pego, o que o mal administrador pode desejar para si, quando for a julgamento? Argumentos não há, dado que a lista de faltas é imensa. Ademais, há flagrante. Se não for pela Misericórdia, não haverá esperança alguma.

E por isso mesmo Jesus ensina: – “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, para não serdes Julgados; Não condeneis, para não serdes condenados; Perdoai, e vos será perdoado. Dai, e vos será dado. Pois com a medida com que medirdes, sereis medidos também” (Lucas 6.36-38)

Porque, então, a atitude do administrador, perdoando a divida de devedores do seu senhor e encontrando assim graça aos olhos destes, terminou também por encontrar graças aos olhos do seu senhor? Por ser esta a aplicação exata do ensinamento dado por Jesus, citado acima: – “Perdoai, e vos será perdoado. Dai, e vos será dado. Pois com a medida com que medirdes, sereis medidos também”

Les langages oral et écrit

Hoje fui interpelado por um grande amigo de longa data que disse-me o seguinte: – “Miceli, te conheço já há 15 anos (este tem gosto em fazer-me lembrar a idade), e sei que você não fala assim. Digo: – Não fala como escreve nos seus textos. Quem lê tem uma imagem errada de você!”

Isso fez-me lembrar de assertiva do glorioso Naturalista Francês Georges-Louis Leclerc que nos diz: – “Ceux qui écrivent comme ils parlent, quoiqu’ils parlent très bien, écrivent mal”. Em outras palavras: – “Os que escrevem como falam, mesmo se falam muito bem, escrevem mal.”

Cultura de Morte no Mundo

Acordo com noticias dos esfaqueamentos ditos políticos/religiosos em Israel, e agora me deparo com noticia de uma jovem esfaqueada em Botafogo, Rio de Janeiro, ao sair da escola. Assalto. Isso só vem a corroborar com o que eu sempre digo: – O assassino é um homicida, por definição. Ele não precisa de pretextos para matar. Ele simplesmente mata pois é da sua natureza. Este tipo de animal (não é pessoa) não atenta para o valor raro de uma vida; esta única e irrestituivel.

Em Israel o homicida tem a sua justificativa “Religiosa” (há toda uma cultura de morte aos judeus no Islã), e no Brasil o homicida tem sua justificativa ideológica (a tal “Divida social”, impetrada por Ideologias de Esquerda) o que dá a estes delinquentes a total liberdade de agir, e não apenas isso: – Agir sob o manto da autoridade da Justiça Divina (Islã) ou compensatória (Socialismo/Comunismo), não tendo absolutamente nada o que temer. Na verdade são até mesmo aplaudidos, no fim das contas.

Ou seja, é uma Cultura Geral da Morte onde o psicopata é aplaudido e o justo é condenado simplesmente (e justamente) por não ser psicopata. É como eu disse e repito: – Há uma Cultura de Morte no mundo.

Arquitetura sem cor, excessivamente disforme ou alucinantemente padronizada. Música medíocre, irritante, barulhenta e repetitiva. Filmes apocalípticos, mortos vivos, ETs, monstros animados ou super-heróis (só assuntos interessantíssimos que fazem parte da vida de todo ser humano!) Divinização de coisas sem vida (no sentido estrito da palavra): A divinização do Sol, da Lua, da Arvore, da Pedra, da nuvem, do vento (todo este culto que já estava bastante na moda uns 2 mil anos antes de Cristo) Enfim, uma degradação monumental. Um retrocesso, como diria nosso glorioso ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele, em si, um retrocesso em pessoa (alias, ele diria “retrofcefssof”)

Em suma: – Tiramos o homem do centro do universo e não botamos nada no lugar. É difícil notar que todas as grandes maravilhas construídas por mãos humanas no mundo são antigas? E por que será? Por que os cartões postais que você visita são todos de séculos atras? Porque hoje em dia não se faz mais nada que preste, basicamente. Não me surpreende que neste panorama miserável velhos ideais comunistas que só produziram mortos em valas e velhas asneiras Islãmicas que sempre produziram o mesmo estejam crescendo formidavelmente.

Midrashê Shabat IV

“Vocês ouviram o que foi dito; ‘não cometerás adultério’. Eu, porém, vos digo: – Todo aquele que olhar para uma mulher para deseja-la, já cometeu adultério com ela em seu coração”

(Está aí um preceito que me fará prevaricar eternamente)

Bom, o Midrashê Shabat de hoje será bem humorado. Mas citarei conceitos interessantes da Mística Judaica, expostos no Zohar (“Esplendor”, em Hebraico), livro referência da mistica judaica desde que apareceu, na Espanha, no século XIII. Alguns atribuem o texto a datas ainda mais antigas, remontando a um dos mais proeminentes sábios Judeus, Shimon Bar Yochai, o que daria ao texto a idade de aproximadamente 2000 anos.

Mas não falaremos aqui sobre o Zohar e sim sobre o dito selecionado. Ele está no Livro de Mateus, Capítulo 5, versículo 27, e é todo ele construído sobre o preceito exposto na Torá, livro Shemot, Capitulo 20 versículo 14 que nos diz: – “Não cometerás adultério”

Jesus aprofunda o sentido para além do simples ato de adulterar, fala mesmo do fato de alimentar um desejo equivocado. E nisso ele segue o Livro de Eclesiástico (que não faz parte do Cânon da Bíblia Hebraica, mas os sábios do Talmud conservam seu testemunho. Alias, o próprio livro foi todo ele escrito em Hebraico) Eclesiástico capítulo 9, versículo 5, nos diz: –“Não fites uma jovem para não ser pego na armadilha quando ela espiar”

(Definitivamente, minha danação será completa)

Vamos ao conceito interessante que realmente motivou este Midrash. É o conceito de ação em outras esferas, bem como o conceito de tempo e sua utilidade, nossas limitações e sua necessidade. O Zohar nos diz que em outras esferas não há pontes entre o pensar e o agir. Que este não seria um processo “quebrado” e descontinuo como é em nossa Realidade, e que por isso nestas outras esferas, não é permitido pensamentos e  desejos equivocados; estes se realizariam, logo que surgissem. Por isto nossas limitações vieram a calhar, ensinam os sábios. Você pode pensar em algo realmente péssimo, e até mesmo deseja-lo, mas entre o pensar e o agir há uma ponte, onde outros sentimentos e o refrear de sua consciência agem. Mesmo quando não há consciência ou quando esta não é suficiente para refreá-lo, uma simples limitação de não poder fazer o que quer, uma simples impossibilidade prática, impede-o de fazer um grande mal.

Por este motivo Jesus cita o infortúnio daquele que é rico. Não há na riqueza, em si, mal algum. Grandes Patriarcas do povo Judeu foram extremamente ricos (Cito os três proeminentes: Abraão, Isaac e Jacó, apenas para ilustrar, mas há muitos outros) O problema é que aquele que é rico tem condições de fazer tudo o que deseja neste mundo. Portanto, se seus desejos forem maus, ele infalivelmente realizará todos, causando grandes danos para si e para os outros. No mais, o possuir riquezas não apenas realiza facilmente os maus desejos que você possui, mas traz também consigo muitos outros, sem contar a cobiça e a inveja que você tem de enfrentar por ter o que os outros não tem, e toda a tribulação que é manter uma riqueza grandiosa. De fato, o rico vive para o dinheiro e morre pelo dinheiro, e tendo em vista que ele não será capaz de levar nada do que juntou consigo, trabalhou no que não poderá possuir.

Em suma: – Nossas limitações e nossa descontinuidade entre o pensar, falar e agir são, na verdade, uma grande dádiva. Pois, com nossas inclinações completamente erradas, se nos fosse permitido, faríamos ainda mais mal do que já fazemos (se é que isso é possível), mesmo com todos os entraves e freios.

Segundo o Zohar, assim também funciona o tempo. Além de trabalhar conjuntamente para esta criação de uma ponte entre o pensar, o falar e o agir – entre o Intencionar e o Realizar – o tempo serviria de importante meio de restituição. O tempo tudo encerra neste mundo; tanto ciclos virtuosos como viciosos são encerrados e um novo ciclo tem inicio. Portanto, você, nesta esfera, não ficará preso indefinidamente em um ou em outro ciclo. O fato de agir com correção até os 49 anos não o impede de cometer um grande mal aos 50 anos. E o fato de ter feito coisas más até os 49 anos não o impede de despertar, de alguma forma, aos 50 anos.

Este mundo não foi instituído sobre o valor da Justiça, dizem os sábios. Se assim fosse, não sobraria um ser humano sequer. Foi sim instituído por Misericórdia, para a correção das inclinações deturpadas, e neste quadro tanto as limitações do corpo quanto o passar do tempo (que faz morrer velhos ciclos e faz viver outros novos) são grandes atos de misericórdia de D’us.

Tudo isto foi exposto para mostrar que o dito de Jesus não se trata de puritanismo moral nem nada que o valha, está aí seguindo um principio “místico” profundo. Ainda que você evite o adultério por suas implicações morais e sociais, ou não o faça pela simples falta de oportunidade de faze-lo, a sua inclinação, o seu desejo ao fitar a mulher com maus olhos, ainda é mau e ainda não foi corrigido. Deste modo você não estará apto a gozar de suas faculdades completas e livrar-se de seus entraves e limitações, pois só estes te abstém de fazer o mal. São, portanto, necessários a você.

Não são dadas grandes possibilidades a quem tem pouca responsabilidade.

Três camas

Lembram-se da venezuelana linda que eu estou paquerando? Pois bem, ainda não consegui nada, nem pegar na mão… (vejam bem; – a menina é difícil. E geniosa também) Mas contou-me ela mais algumas novidades, novidades aterradoras, e venho aqui contar as novidades aterradoras (isto ela me deixou fazer)

Ela tem uma Tia, uma tia que passa por lamentáveis problemas de saúde. Está há mil anos aguardando para fazer a operação necessária, e incito vocês a imaginarem o motivo. Falta de médicos qualificados? Pior (se é que isso é possível). Falta de equipamentos avançados, devidos? Pior (se é que isso é possível). Excesso de pacientes nas filas? Não diria excesso; estão mesmo todos nas filas. Então vamos ao porquê. E o porquê é de cair para trás.

Não há camas no Hospital. Não, não é que não haja leitos adequados, sem todos os equipamentos adequados. Não há sequer camas! E vejam bem: – O hospital não é pequeno; é um dos maiores da região! Ela disse assim: – “Miceli – Nunca ficarei com você – só há três camas em todo o Hospital! Três camas!”

Três camas! (“nunca ficarei com você” foi uma simples projeção mental de minha parte, desculpem-me) Três camas para todo um Hospital! E a mãe da menina? Perdeu quilos, coitada, vendo a irmã – a Tia de minha amada – sofrer numa espera interminável e transcendental.

O povo Venezuelano está definhando e isto é muito triste. Quando você tem um cenário politico aterrador, mesmo sabendo de sua gravidade, não sente de fato as implicações reais até ser testemunha ocular; até ter um parente, um amigo ou um conhecido real, de carne e osso, realmente atingido. Conheço diversos venezuelanos atingidos, daí a minha insistência – quase mórbida – em voltar repetidamente ao assunto. E quando penso que os elementos que causaram toda esta tragedia por lá são os mesmos elementos que causam todas as tragédias por aqui, minha insistência quase mórbida é revigorada exponencialmente.

Talvez um dia eu desista de paquerar a Venezuelana. Mas não desistirei de falar pelos meus irmãos venezuelanos, nem desistirei de falar pelos meus patrícios brasileiros.