Midrashê Shabat VII

Meu amigos, após mil anos tentando retomar a série Midrashê Shabat, eis que finalmente consigo. Para quem não a conhece (ou ao menos não a conhece pelo nome), esta é uma série de textos publicados as sextas ou sábados (correspondendo ao Shabat dos Judeus) onde faço uma interpretação de ditos de Jesus sob uma ótica Judaica. Traço paralelos entre os ditos e as Escrituras e, não raro, utilizo até mesmo de material apócrifo (quando este está em concordância e serve de forma suplementar)

Há 7 textos da série (o de apresentação em que falo acerca do Shabat, especificamente, e outros 6 sobre os ditos de Jesus propriamente) e todos podem ser acessados no site cujo link vai abaixo. Vamos aqui então para o oitavo texto da série, o sétimo texto sobre os ditos. O versículo sugerido por um leitor e que será matéria de estudo neste texto não é um dito próprio de Jesus, mas uma referência feita a Jesus por seu predecessor João Batista, em termos mais ou menos esotéricos como segue abaixo:

“O Machado já está posto à Raiz e toda arvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo.” (Lucas 3:9)

O dito de João parece bastante claro, autoexplicativo, e Jesus, de fato, assim como João, também utiliza-se desta imagem da Árvore e seus frutos para referir-se a uma pessoa e seus atos. Demonstra com isso – dentre outras coisas – que a pessoa é reconhecida por seus atos, assim como a árvore é conhecida por seus frutos. Que uma boa pessoa não poderia cometer más ações, assim como uma árvore boa não produz frutos podres, e uma pessoa ruim invariavelmente cometerá atos ruins, pois uma arvore apodrecida não poderia produzir frutos bons.

De modo semelhante Jesus utiliza a analogia do bom tesouro e do mau tesouro (Lc 6.45) para demonstrar que o Homem cujo mal é frequente em sua boca (seja por lamúrias, por maldizer os outros etc., etc) retém um grande mal oculto em seu interior, pois “O Homem bom, do seu bom tesouro retira coisas boas e o Homem mau, do seu mau tesouro retira coisas más. Digo-lhes que a boca fala daquilo que está cheio o coração”

Mas o motivo da escolha deste dito de João Batista não está no uso desta analogia didática usada por ele e também muito usada por Jesus, pois, como vimos, é de fácil e simples compreensão. Escolhi o dito pela expressão “O machado já está posto à Raiz das arvores”; imagem utilizada por João para expressar a vinda de Cristo. Esta imagem contém um conceito profundo que é, inclusive, abordado e desenvolvido no Evangelho de Filipe.

É ensinado que, enquanto a raiz da árvore está escondida, ela brota, e cresce. Se no entanto a raiz é exposta, a arvore padece e seca. Assim é com a raiz de uma árvore, que está diante dos nossos olhos, que portanto nos é revelada, e assim também é com aquilo que nos é oculto, que não está diante de nossos olhos, e que portanto não nos é revelado.

Enquanto a raiz do Mal está escondida, ele permanece forte. Mas quando reconhecida, ele perece – quando é revelada, ele é extinto. O que é cortado brota outra vez, mas o machado penetra profundamente até trazer a raiz para fora. Jesus expôs inteiramente a raiz de todos os males, consequentemente arrancando-os e eliminando-os por completo. Cabe a nós cavar em busca da raiz do mal, identificar o mal enraizado em nosso interior, para de fato conhece-lo, revela-lo e então arranca-lo pela raiz. Quando você identifica o mal oculto, está “trazendo-o para fora”, “revelando-o à luz do dia”, e consequentemente matando-o.

Por outro lado, se o ignoramos, o Mal já enraizado em nosso interior continuará a produzir seus frutos. A tendência natural é que ele cresca e termine por nos dominar. Estaremos condicionados a reações muitas vezes inconscientes, que nos levam a dizer palavras e cometer atos que nós mesmos não compreendemos inteiramente e que, não raro, vão contra nossa própria vontade. Quantas vezes você pretendeu agir de certo modo, reconheceu que tal caminho seria o melhor para você, mas simplesmente não conseguiu segui-lo por não conseguir controlar-se, terminando por fazer algo diametralmente oposto ao que havia pretendido? Temos a ilusão de ser inteiramente livres mas muitas vezes estamos apenas condicionados por pensamentos e vícios que mal identificamos e vivemos respondendo a estes estímulos somente. Por isto é dito que a Ignorância é a mãe de todos os males: – Enquanto o mal está em segredo, oculto em seu interior, permanece plenamente ativo, produzindo seus maus frutos.

Já a Verdade é o seu oposto: – Enquanto está em segredo, oculta em seu interior, repousa em si mesma; inativa. Mas quando é revelada e conhecida passa a ser louvada, pois é poderosa e da seus frutos em abundância, trazendo a verdadeira vida e liberdade. Cristo nos diz: – “Conheçam a verdade e se tornarão verdadeiramente livres” – A ignorância nos escraviza com sua miríade de vícios e atos inconscientes mas o estar plenamente consciente o torna Senhor de todos os seus atos.

Intrépida Pugna

O Fluminense Football Club é um grande clube. E o que dizer de sua sede? Charmosíssima. Elegante. Exala tradições. É mesmo uma instituição centenária, e eu diria até – milenar. – “Miceli, nem o futebol tem mil anos!” – Vejam bem: – O Fluminense existe desde a fundação do mundo. E eu adoraria discorrer sobre tal tema cosmogônico, não tomasse este todo o texto, dada a profundidade e complexidade metafísica do tema.

O que vou contar é muito mais simples e é o seguinte: – Semana passada, eu, Horácio e Otávio (todos tricolores, evidentemente) fomos à sede do Fluminense, no aprazível bairro das Laranjeiras. Dizem que o bairro das Laranjeiras é um bairro de senhores e senhoras, um bairro senil, movido a remedios para pressão arterial. Quanto a mim, devo dizer que sinto-me muito bem por aqueles lados. Alias, acho mesmo que sinto-me bem justamente por ser um bairro da terceira idade, um bairro de lentidão, da falta de pressa para a vida. No mais, há muito verde, e os pivetes correm soltos, furtando e roubando numa alegria atroz. Enfim, fomos nós três, acompanhar a competição de vôlei feminino. Sei bem que más linguas dirão que fomos apenas por causa das formosas atletas, no que devo dizer que esta hipótese é uma absurdidade total e completa, além de uma deselegância para comigo e com os amigos.

Normalmente não é permitido para visitantes entrar nas dependências do clube com uniformes e simbolos de outras instituições, mais precisamente, de outros clubes. Esta autorização extraordinária é dada apenas em época de competições, e ainda assim, é restrita às areas onde se desenrolam os jogos. Neste dia, porém, um Flamenguista (aquele que tem a vocação para sedição, por excelência) resolveu adentrar o bar do clube, maculando assim território sagrado onde oferecem-se sacrificios ao altar tricolor, regados a litros de cerveja, punhados de queijo, azeitonas e batatas fritas.

Todos entreolharam-se. Uma senhora – grã-fina – sambava na cadeira. Segurava o braço do marido, olhos esbugalhados, num sobressalto cinematografico. Uns cochichavam o escandalo, outros o resmungavam alto para serem mesmo ouvidos, mas o Flamenguista desfilava, hierático, ele e mais três, a caminho do balcão:

– Queremos 4 latas de cerveja e batatas fritas.
– Lamento mas não poderemos atender. Não é permitida a entrada de pessoas com uniformes de outros clubes no bar.
– Ora, veja só!
– Regras.
– Pro diabo com estas regras!

Otávio não é um sujeito calmo. É frequetemente citado por mim, rende contos homéricos, justamente por ter o talento da hecatombe. Horácio, por outro lado, teme até mesmo a propria sombra. Na ocasião, o primeiro reagiu a seu instinto natural, e o segundo, também:

– Se o Flamenguista encrespar eu parto-lhe a cara!
– Oh Meu Deus! O Otavio vai matar a todos nós!
– Cale a boca Horácio! Você é um marica!

Eu tomava minha agua mineral. Adiante, o imbróglio entre os rubro-negros e o atendente do bar evoluia.

– Meus amigos, eu já disse com educação, são regras da instituição. Retirem a camisa e poderão se sentar e se servir.
– Eu, retirar a camisa? Mas isto é um absurdo! Isto é um preconceito! Alias, eu já sei porque tudo isto está acontecendo…
– Porque, senhor? Faça o favor de contar-me (já impaciente)
– Porque sou preto!
(Nisto, todos reviramos os olhos, como que em competição de nado sincronizado. O sujeito continuou)
– Sim! Se eu fosse um flamenguista branco, eu comeria batatas no bar do Fluminense Football club!
– Meu senhor, o seu amigo Flamenguista ao lado é branco e.
– Pardo! Ele é Pardo! Não há brancos neste grupo, ok? Alias, não há Flamenguista branco. O Flamenguista branco é um impostor!
– Senhor, tenha a bondade…
– Tire as mãos de mim!
– Ninguém está encostando-te, senhor.
– Chamo polícia!
– Senhor…
– Entro com processo!
– Tenha a bondade…

Nisto, Otavio se levantou. – Vamos parar com esse “Race Card” ou não vamos? (Pauso aqui para explicar a expressão. “Race card” é expressão americana para o vitimismo racial; a tal “divida historica” e derivados. Otavio, por algum motivo, falou em linguas.)

– Não Otávio! Não! (Horácio, em pânico)
– Ou tiram a camisa ou nós vamos obriga-los!
– Nós, quem? (perguntei porque minha água tinha acabado)
– Não Otávio! Não! (Ainda Horácio)

A grã-fina acompanhava tudo, excitadíssima. Puxava o marido pelo braço – um senhor que aparentava seus 70 anos – e bradava: – Vá lá ajudar os meninos! Vá lá ajudar os meninos! – A turba estava formada. Fingi que havia mais água e continuei bebendo vento. Horácio colocou os dois pés sobre a propria cadeira e começou a balançar-se, em posição fetal. O Otávio eu perdi de vista, provavelmente já ia ao chão com algum pardo Flamenguista.

Finalmente chegaram os seguranças. A Grã-fina estava montada às costas de um dos invasores e continuava com seus brados: – Malditos sejam! Tirem já estas camisas! – O marido, constrangidíssimo, despejava uma meia duzia de comprimidos para pressão arterial na ávida boca e suava. Otávio, que encetara intrépida pugna, foi separado e convidado a se retirar, juntamente com os demais inconvenientes. Eu levantei, olhei para o relogio e estava na hora do jogo. Ofereci então a mão à Horácio – este ainda em posição fetal – e finalmente convidei-o:

– Vamos, Horácio. Vamos lá olhar as meninas do Vôlei.

A ascensão do idiota

“Jornalista é agredido no Parque da Jaqueira (Recife) ao desfilar com uma bandeira de Dilma Rousseff, em manifestação de apoio a presidente.”

Meus amigos, isto é um completo absurdo. Uma das grandes conquistas da humanidade com a ascensão da democracia é que todos, absolutamente todos tem o direito de propalar sua idiotice. Portanto, deixem o rapaz em paz.

É preciso compreender: – O idiota passou da miséria íntima, particular, à miséria geral; articulada e organizada. Como nosso glorioso jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues bem salientou (em palavras anos luz mais sofisticadas que as minhas); o idiota, subitamente, descobriu que estava em maior número, e resolveu usar de sua esmagadora força numérica.

“Miceli, você está querendo dizer que acha a maior parte das pessoas idiota?”

Querendo dizer, não – Eu disse.

“Mas isto é prepotência! É se achar melhor do que os outros! É pedantismo! Olha, eu até gostava de você mas.”

Veja bem: – A burrice (ou idiotice, se preferir) não é uma questão de inépcia pura e simples. É uma questão, sobretudo, de egoísmo. O sujeito fechado no proprio mundo, preocupado apenas com questões que lhe dizem respeito – a grande maioria delas de uma frivolidade acachapante – é o egoista por definição e o idiota por excelência. Então, quando me refiro a idiotice geral e endêmica, não me refiro a um estado biologico, atávico do sujeito: – Me refiro ao carater, à personalidade que poderia ser moldada; que ele poderia corrigir e herigir com dignidade, se assim quisesse.

A democracia é realmente um modelo ideal, mas o fato contundente é: – Não vivemos num mundo ideal. Num cenário onde todos fossem plenamente conscientes e buscassem os conhecimentos necessários para tomar as melhores decisões, o voto de todos seria realmente representativo da busca geral pelo bem comum. Mas o fato é que 90% das pessoas só estão preocupadas com o que vão comer, com o que vão vestir, com as necessidades mais imediatas e sequer sabem onde estão, o que estão fazendo e como vieram parar no globo terrestre.

Em suma: – Vivemos um modelo ideal num mundo de Realidade completamente díspar.

Espessa ingênuidade

A maioria deve saber: – Além de pseudo escritor nas horas todas, sou comerciante nas horas vagas. E como todo bom comerciante no Brasil, estou sempre à beira do abismo financeiro. Estou tão acostumado a trabalhar com dívidas que a única vez em que lucrei com meu trabalho caí em cava depressão. Os funcionários me diziam: – “Miceli! Nós lucramos! Nós ganhamos dinheiro!” e eu, num sofrimento atroz, suplicava: – “Não me digam! Não me digam nada! Eu não quero saber!”

Vejam bem: – Não há nada como a adrenalina do boleto atrasado, do juros da multa exorbitante, da voz doce da telefonista agradabilíssima que te liga ao amanhecer e diz: – “Senhor Miceli? Primeiramente um bom dia. Não queremos incomoda-lo (o relógio marca 6 horas da manhã) mas consta aqui em nosso sistema um boleto em aberto. Estaremos enviando o seu nome para o raio que o parta… etc., etc.)

Tenho uma profunda simpatia por telefonistas, especialmente do ramo de cobranças, e quando digo isto, não brinco. Mas não é sobre isso que eu ia falar. – Falarei de mania inexplicável que tenho, como comerciante eternamente falido, de pedir aos meus amigos a singela quantia de 2 mil reais. Sempre que a situação está critica, brinco com conhecido próximo:

– Arranjou os meus dois?
– Seus dois o que?
– Meus dois mil reais.

Então damos a rir (na verdade eu acho que só riem para me agradar, pois a única graça do pedido é o desespero, e o desespero é completamente meu) Certa feita um destes generosos amigos me perguntou: – “Porque dois mil reais? Porque sempre a quantia é 2 mil reais? Porque não um, ou três?” E eu não soube responder. Imaginei então que se tratasse de algo inconsciente, algum misterio transcendente, e comecei a meditar sobre o assunto: – “De onde tirei esta quantia de 2 mil reais? De onde tirei este valor exato de 2 mil reais?”

Depois de repetir estas perguntas como um mantra por dias a fio, finalmente adentrei às mais recondidas camadas do meu inconsciente; da minha profunda memória distante. Fui transportado para um condominio na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro), cujo nome me esqueço. Alias, lembro-me agora: – “Barrabella” Nele havia uma donzela linda, daquelas que eu jamais toquei (e provavelmente jamais tocarei), e os únicos momentos em que eu a via era na Praia da Barra.

Na praia havia algum flerte, ouso dizer, mas ela estava sempre cercada de familiares. No mais, àquela época eu não sabia sequer como dar um bom dia a uma mulher. O tempo passou até que no fim de uma das várias férias em que isto se dava, resolvi visita-la em seu condominio. Humilde, caminhei até a portaria com a convicção de geléia do adolescente apaixonado:

– Boa tarde.
– Boa.
– Gostaria de falar com fulana.
– Não conheço.
(Imaginei então ter errado o nome) – Mora no bloco tal, andar tal. (assim me disseram)
– Continuo sem conhecer.
– E se eu entrar para procurar?
– Não pode.
– Porque não pode?
– Não é morador. (fez uma pausa como se considerasse algo e disse em suspense) A não ser que.
– Que o que?
– Veja bem: – Deixar você passar seria muito arriscado…
(olho para um lado e para o outro, ele continua)
– Não é morador, não é?
– Já disse que não.
– Muito arriscado…
– …
– Mas como sou seu amigo, farei este favor para você.
– Mesmo?
– Sim.
(nisto meu coração palpitou e eu me vi escalando as varandas enormes dos prédios altos, mesmo por fora, logrando alcançar minha amada)
– Só preciso que você faça uma coisa…
– Qualquer coisa! (numa tola coragem)
– Preciso que levante uma quantia para mim.
– Que quantia?
– A quantia para eu comprar uma carrocinha de cachorro quente, caso seja demitido por deixar você entrar. (o sujeito abre um sardônico sorriso, divertindo-se com a propria troça, manuseia o jornal com uma mão e vai fechando o vidro da cabine com a outra, dando o caso por encerrado. Do lado de fora, porém, bati no vidro, numa insistencia macabra, no que o sujeito abriu sem muita paciência)
– Qual seria esta quantia, senhor? (perguntei, com espessa ingênuidade)
– 2 mil reais.

Com estas palavras, a cabine se fechou para sempre.

Nota: Os idiotas da objetividade objetarão que naquele tempo a moeda era outra. Mas eu diria que o incosciente – num mistério – faz a conversão milagrosa e automática.

Uma leitora me colocou para trabalhar

Uma leitora me colocou para trabalhar. Vejam bem: – Por mim, eu teria passado por esta notícia sem maiores alardes (como de fato passei) simplesmente por ter-me abstido de comentar tais absurdidades. O número de hecatombes tem sido tão elevado que ocupar-se delas é não ter tempo para nada mais. Então, repentinamente, decidi escrever sobre assuntos construtivos e não destrutivos. Mas vamos lá, ocuparmo-nos deste assunto destrutivo por agora.

A notícia é esta: – “Casamento entre irmãos poderá ser liberado no Brasil. Projeto já foi aprovado pela Comissão de Constituição de Justiça e agora precisa ser votado pelos deputados federais. Apesar de polêmico o projeto conta com a simpatia de grande parte dos deputados.”

Além do natural impacto da noticia, o melhor, – correção, – o pior são as justificativas que o deputado federal do Partido dos Trabalhadores (tinha de ser do PT, não é mesmo?) Carlos Magalhães Pedreira vociferou, como motivações nobres para sua empreitada. Vamos a elas:

“O amor não pode nem deve ter fronteira moral ou legal. No tempo de Adão e Eva seus filhos casaram entre si e graças a isso temos hoje 7 bilhões de habitantes no planeta. Se Deus permitiu a eles, por que nosso Código Civil tem que proibir?”

A mistura de inépcia com boa (má) dose de malícia assinalada acima da-me vontade de vomitar. Não vou entrar no merito teologico ou hermeneutico das Escrituras com um sujeito como este pois seria algo como tentar ensinar Fisíca Quantica para um animal. Mas vale ressaltar o seguinte: – A Historia de Adão e Eva é a Historia por excelência da queda da Humanidade, e tudo que proveio daí foi plena desgraça. Tanto que os primeiros atos de nossos patriarcas não renderam a aprovação de D’us e sim sua repreensão e admoestação como segue:

“À mulher Ele disse: – Porque desencaminhaste teu marido, multiplicarei as dores de teus partos, na dor dará luz a filhos. Teu desejo te impelirá ao teu marido e ele te dominará. – Ao Homem Ele disse: – Porque escutaste a voz de tua mulher e foste contra minha orientação, causando dano a ti mesmo e a toda Criação, maldito é o solo por causa de ti. Com sofrimentos dele te alimentará, todos os dias da tua vida. Com suor do teu rosto comerás teu pão até que retornes ao solo. Pois do pó viestes e para o pó retornareis.”

Ou seja, as Historias Biblicas começam da queda e consequente desgraça do ser Humano, e o segue por todo processo de correção. Esta “correção” atingiu seu primeiro grande estágio com a revelação da Torá a Moisés, com todas as suas normas e estatutos. (por nós conhecida principalmente pelos famosos “10 mandamentos”. Na verdade, a Torá corresponde a todo o Pentateuco dos Cristãos: – Genesis, Exodo, Levitico, Numeros, Deuteronomio)

E o que vemos nesta “Torá” (do Hebraico “Instrução”)? Que normas são ditadas para correção do ser humano? Bom, na verdade são muitas, mas vamos citar aqui a que nos convem para o assunto:

“Eu sou o Eterno teu D’us. Guardareis os meus estatutos e as minhas normas: Aquele que os cumprir, encontrará neles a verdadeira vida”, e segue: – “Nenhum de vós se aproximará de sua parenta próxima para descobrir sua nudez (…) Não descobrirás a nudez da tua irmã quer seja filha de teu Pai ou filha da tua Mãe. Que seja ela nascida em casa ou fora dela, não descobrirás sua nudez.”

Por tudo dito acima – e acho até que me extendi por demais – fica claro que a assertiva do marginal é completamente falsa, quando ele diz “Se Deus permitiu…”

Agora vamos a outro trecho que demonstra sua inteira desonestidade:

“O direito de irmãos adultos à autodeterminação sexual é mais importante do que a ideia abstrata de proteção à família”

“Ideia abstrata”, ele diz. É importante ressaltar que a defesa da instituição familiar não é, de modo algum, uma questão abstrata ou simplesmente moral, e sim uma questão Política e Economica. A propriedade privada só é possivel no ambito familiar. Familias prosperam porque o herdeiro do Pai e da Mãe tem direito a Herança. Assim, ele não começa “do zero”, não tendo absolutamente nada, e sim herdando as propriedades deixadas por seus Pais. Seus filhos, por sua vez, heradarão as propriedades que ele deixar. É um cliclo virtuoso e assim a familia cresce em propriedade, cresce em prosperidade e cresce em meios de ação na sociedade. Destruir a Familia é destruir um importante pilar de prosperidade economica e futura influencia política.

Muito mais interessa a um governo corrupto dilacerar esta instituição preciosa. Um individuo que não constitue familia é um individuo morto. Por mais que ele prospere sozinho e consquiste riquezas – o que é por demais dificil começando do zero e agindo sozinho, diga-se de passagem – não tendo filhos, não deixando herança, tudo morre com ele. Ou melhor, fica para o Governo. Não é supreendente o fato de que as familias mais ricas, poderosas e influentes do mundo sigam o modelo tradicional – o unico que funciona – até hoje, mas gastem milhões em campanhas publicitárias – através de filmes, seriados, músicas, ativismo “social”, etc. – para convencer você a ser um sujeito solitário, um sujeito “livre”:

– Livre de toda e qualquer prosperidade e atuação verdadeira no mundo.

O dedo em riste

Jornalista dinamarquesa desabafa: – “Os homens Europeus estão afeminados e nós mulheres estamos correndo perigo” (diante do atual avanço Islãmico e os crescentes casos de abusos perpetrados por imigrantes)

Prevejo que serei ovacionado por homens e linchado por mulheres com o comentário a seguir mas fá-lo-ei de qualquer forma: – Acho esta reclamação, no mínimo, um contrassenso medonho. Primeiro a mulher ocidental se levanta contra o próprio marido, põe o dedo em riste em sua cara e logra transforma-lo no anti-homem: Sem autoridade, sem poder de decisão, cuja toda e qualquer demonstração de virilidade é tida como “destempero inadequado”, se não ato “agressivo” digno de pronta denuncia. O modelo ideal do Homem – no Ocidente – é aquele que trabalha apenas meio expediente, podendo assim “repartir” todos os afazeres do lar com a companheira. Chegando em casa, põe avental, lava louças, pendura roupas, cuida do jardim e, por fim, brinca de boneca com a filha ou assiste um desenho animado com o filho.

Repentinamente, diante de uma agressividade real, diante de reais atos de violência exterior, a mulher ocidental, ameaçada, clama pela volta do Homem que ela mesma assassinou.

Um punhado de pérolas

Aquele que tropeça em meus textos ao navegar pelo Facebook deve lembrar-se do grande imbróglio em que me meti, quando encetei pugna violenta contra o Islã, à época dos atentados na grande cidade francesa de Paris. Na verdade já escrevia eu sobre o Islã desde muito antes, mas dada a crescente exposição e itensidade dos textos, acabei sendo, finalmente e gloriosamente, ameaçado de morte (o que me deixou excitadíssimo)

Mas o fato é que descobri uma pérola Islãmica. Alias, um punhado de pérolas. Estava eu bisbilhotando tradições sufistas (misticismo islãmico), textos sobre ascetismo e antologias de saber e história de profetas e santos, quando deparei-me com coleção de ditos atribuidos a Jesus. Não num corpus completo, único. Ditos fragmentados, em vários textos. Dois dos principais: “kitab al-zuhd wa’l raqa’iq” (Livro do ascetismo e ternas misericórdias), de Ibn Al mubarak, e “Kitab al-Zuhb” (O livro do Ascetismo), de Ibn Hanbal.

Escavando, descobri que muito após estes textos antigos, estudiosos do ocidente empenharam-se em coletar estes ditos, traduzindo-os e reunindo-os num único volume. Talvez a primeira iniciativa notavel neste sentido tenha sido de M. Asin y Palacios, com seu “Logia et agrapha domini Iesu apud mosleicos scriptores, aseticos praesertim, usitata”.

Pulando estes nomes e titulos que ninguem entende (nem eu), o que estou tentando dizer é o seguinte: – Tenho em mãos 303 ditos de Jesus, coletados da tradição Islãmica. Quem conhece o Islã sabe que Jesus é citado diversas vezes no Alcorão, inclusive como profeta louvado e feitor de inumeros milagres. Ou seja, não é estranho que sua figura seja louvada no Islã e muitas tradições de sabedoria sejam remetidas a ele. A surpresa foi encontrar estas tradições de sabedoria, pois na Hadith (Corpo de Leis, lendas e tradições atribuidas a Maomé e outros icones Islãmicos) Jesus aparece apenas com significativa importancia como profeta “apocaliptico”. Seus dizeres de sabedoria não são ressaltados.

Pelo visto, a tradição dos ditos, provérbios e admoestações, ficou preservada neste outro ambito literário, periférico e mais ou menos esotérico, de tradições dos profetas, misticismo e ascetismo. Agora que encontrei, aos poucos, transcrevendo, vou pondo aqui para vocês, pois é interessantíssimo. O primeiro a saltar-me aos olhos foi o seguinte: – Bem-aventurado aquele que vê com o coração, mas que não tem o coração no que vê.