Paraíso Perdido

É muito comum, especialmente entre religiosos, identificar a era atual como a mais “decaída” de todas, a mais imoral, a que mais está próxima do “fim dos tempos”. Mas a verdade é que desde a Antiguidade o sentimento humano no mundo foi este: de que estamos desamparados na imperfeição e no caos, embora nosso âmago procure pela perfeição e pela ordem. Vejam este testemunho de um cidadão do Antigo Egito, cerca de 4 mil anos atrás, sobre a desordem social que assolara sua comunidade : “Com quem posso falar hoje? Os amigos são maus, os amigos de hoje não amam. Os rostos desapareceram, cada homem baixa o olhar diante de seus companheiros. Um homem mau deveria despertar a ira por seu caráter ruim, mas hoje todos riem, apesar da perversidade do seu pecado. Não há justos; a terra é deixada para aqueles que agem mal. O pecado que aflige a terra não tem fim” Ora, não é muito parecido com a sensação que temos hoje; a de que está tudo errado e o mal domina o mundo?

Esta nostalgia de uma condição perfeita que perdemos; de que outrora tudo foi diferente para melhor, preenche a concepção da “Idade de ouro perdida” do filósofo Sêneca e do “Paraíso Perdido” Cristão; do Pecado Original de Adão e Eva que teria originado “A queda” – nossa condição decaída no mundo. A percepção de que nossa época é pior do que outras é uma ilusão, pois todas as épocas foram igualmente más, e é por isso que Jesus diz “Meu Reino não é deste mundo” e seu discípulo João conclui “O mundo jaz no maligno”. Na verdade, num escrito apócrifo (Evangelho de Tomé), Jesus diz: “É assombroso como a maior das riquezas (alma) tenha feito morada nesta pobreza (corpo)” É inutil procurar na carne os anseios da alma, pois a primeira é perecível e limitada, a segunda é eterna e infinita.

Então, meus amigos, a sede por ordem, perfeição e eternidade são desejos da alma impossíveis de serem conquistados neste mundo. A imperfeição, o caos, a morte são traços característicos deste mundo em todas as suas eras e não irá mudar, pois é de sua natureza mesma. Cristo se preocupou em alimentar a alma e não movimentos políticos: ele sabe que o que quer que seja feito neste mundo perecerá, que lutar contra o conflito já é conflito, que a carne por mais bela que seja degenera na doença e morre, e que pobreza é a condição mesma deste mundo: “sempre tereis pobres entre vós” Visto de um ponto de vista macro, que abarca todas as eras, chega-se à conclusão de que é inútil se debater contra estas questões. O nosso tempo não é pior do que os outros, é a repetição dos outros, pois “não há nada novo debaixo do sol”. As grandes e verdadeiras tradições religiosas alegam ter uma brecha, um “caminho estreito”, uma “senda reta” que te tire da condenação deste ciclo vicioso e te guia para o que é verdadeiramente belo e eterno. Se esse caminho de fato existe e se está acessível a nós, é uma outra questão. Mas não pode-se negar que é uma ideia convidativa e fascinante.

Os acusadores

Esses movimentos de minorias nos colocam como culpados, façamos o que fizermos.

I – Se você é branco e é casado com uma mulher negra, está apenas querendo disfarçar o seu racismo. Se é branco e tem amigos negros, está apenas querendo disfarçar o seu racismo. Mas se é casado com uma branca e só tem amigos brancos, aí é racista declarado! Ou seja, para esses movimentos acusadores negros, NÃO HÁ NENHUMA POSSIBILIDADE de um branco não ser racista. Ou ele é, ou ele é, só que disfarçado.

II – Se você é heterossexual e tem amigos homossexuais, está apenas querendo disfarçar sua homofobia. Mas se tem apenas amigos heterossexuais, então você é um homofóbico declarado! Ou seja, para esses movimentos acusadores LGBT, NÃO HÁ NENHUMA POSSIBILIDADE de um heterossexual não ser homofóbico. Ou ele é, ou ele é, só que disfarçado.

III – Se você é Homem e trata as mulheres com gentileza e educação; se é carinhoso e cavalheiro, você está apenas querendo disfarçar o seu machismo. Mas se é um sujeito rude, aí você é um machista declarado! Ou seja, para esses movimentos acusadores feministas, NÃO HÁ NENHUMA POSSIBILIDADE de um Homem não ser machista. Ou ele é, ou ele é, só que disfarçado.

Na tradição cristã, o demônio é visto como “acusador”. Ele te faz sentir culpado não apenas pelo que você fez, mas até pelo que NÃO FEZ. Eu realmente acho esse discurso de culpabilidade, terrorismo e chantagem emocional, um discurso demoníaco.

Peçam, e lhes será dado

“Peçam, e lhes será dado. Busquem, e encontrarão. Batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo aquele que pede, recebe. O que busca, encontra. E àquele que bate, a porta lhe será aberta.” Este dito de Jesus foi confirmado pelo povo Brasileiro. Enquanto estávamos apáticos, indiferentes e melancólicos, caminhávamos para o buraco e nada acontecia. Bastou realmente querer alguma coisa e clamar por mudança, que ela aconteceu (e de maneira um tanto quanto espetacular, pois essa é a assinatura de D’us) O primeiro passo para mudança é querer. O segundo, fazer por onde.

Involução do Direito

“Preso, Lula custa 10 mil reais por dia, e já onerou o Brasil em 2 milhões e 700 mil reais” Mesmo em uma sociedade extremamente rica, eu acharia injusto onerar a parte justa e produtiva da população com gastos relativos a criminosos. Quanto mais injusto este cenário é nas condições de pobreza e miséria do Brasil? O sujeito gasta, POR DIA, 10 salários mínimos. Isto para não fazer absolutamente NADA; apenas para sua segurança e mínimo conforto.

Falam que as Leis bíblicas, por exemplo, são “bárbaras”. Mas lá o crime de furto ou roubo NÃO É PASSÍVEL de prisão. O sujeito simplesmente é condenado a RESTITUIR a vítima de forma integral ou até mesmo com adicionais. Vejam bem: restituir A VÍTIMA, que foi a verdadeira prejudicada com o seu crime, e não a “sociedade” ou o “Estado”. O criminoso não é isolado e enjaulado; deste modo, como ele trabalharia para restituir o prejuízo que causou à vítima? E o que a vítima ganharia com a prisão do sujeito? Com o criminoso preso, a vítima terá seus bens de volta? Pelo contrário! Estará tendo prejuízo duas vezes, pois agora terá de sustentar o criminoso na prisão através de impostos!

É claro que não estou sugerindo que importemos códigos de Leis do Antigo Oriente Médio para nossa realidade ocidental do século XXI, mas alguns princípios, como este de restituição de crimes contra o patrimônio, me parecem bastante razoáveis. A pena de morte contra homicídio é outro principio que me é caro, e segue um raciocínio muito coerente: Quem rouba um pertence, ou uma quantia em dinheiro, pode devolver esse pertence ou esta quantia em dinheiro. Mas quem rouba uma vida, poderá devolve-la? Embora tenhamos avançado inegavelmente em muitas questões, sob certos aspectos, o Direito involuiu.

Ode à convenção social

Dizer que menino veste azul e menina veste rosa pode ser uma mera convenção social. Mas dizer que não existe menino e que não existe menina; que o bebê nasce “neutro” e escolherá seu gênero no futuro, é mero retardo mental. Entre uma ideologia nociva que leva pais a confundirem seus filhos e escolas a confundirem seus alunos; que leva até mesmo ao uso covarde e perigoso de bloqueadores hormonais em crianças em crescimento, e uma mera convenção social estética inofensiva, eu fico com a mera convenção social.