“Em Nome de Jesus!”

 

“Em nome de Jesus!” Sempre que ouço esta frase, crispo-me. Tenho muitos amigos cristãos protestantes e devo dizer: – Não são o que majoritariamente noticia-se deles. Alias, eu mesmo tive uma experiência pessoal profícua a este respeito. Os que me conhecem – e os que me leem já há algum tempo – sabem: – Sou comerciante, nas horas vagas. E há o baleiro, o sujeito que vende balas, um dos que suprem minha bomboniere. Num dia destes estava eu lá lendo algo, e o sujeito, já tendo feito o pedido da semana, inquiriu-me:

– Interessa-te por estes assuntos?
– Que assuntos?
– Bíblia.
(não lembro-me o que estava lendo, mas se não tinha a ver com Bíblia ou Religiões, foi assim que o sujeito – um senhor – presumiu) – Sim, interesso-me (respondi, breve)
– Pois eu também. Há um grupo de estudos, lá na minha Igreja.

Bom, o papo vai, o papo vem (apesar de clientes sempre atrapalhando, entrando para comprar coisas) até que sou acoçado por patética vaidade:

– Veja, interesso-me tanto, que estudo até Hebraico! Veja só: – Em Hebraico o estudo é completamente diferente! Muito mais rico!
(O sujeito me olhou, provavelmente percebendo a patética vaidade que se insinuara) – Mesmo? Então me diga: – Qual é a primeira letra do Alfabeto Hebraico?
Aleph
– E a última?
Tav
– Está certo.
– Como assim, está certo? (eu não estava entendendo nada)
– As respostas; estão corretas. (o senhor tratou, então, de reduzir derradeiramente minha patética vaidade a pó) – Na esquina da minha casa, na Igrejinha que tem lá, nós estudamos Hebraico.
– … (O pior: – Nesta hora não entrou nenhum cliente para comprar um cigarro ou um refrigerante; e salvar-me)

Enfim; Conto isto apenas para demonstrar que há sim, trabalho sério e profícuo, feito por Igrejas Evangélicas neste país. Trabalho este que alcança até mesmo comunidades humildes, que doutra forma jamais teriam acesso a tais conteúdos. (Alias, no curso de Hebraico que frequentei tinha mesmo muitos pastores. De fato, protestantes buscam conhecimento)

Mas dei voltas e volto aqui à frase inicial: – “Em nome de Jesus!” Repito: – Quando ouço esta frase, crispo-me. Venho aqui, humildemente, tentar explicar o motivo pelo qual considero esta frase uma aberração.

Há um conceito antigo de que o nome exprime a “Natureza” da pessoa. Dou exemplo simples, de conhecimento geral: – Abraão, o “Pai” do Monoteísmo no Mundo. Anteriormente à Revelação do D’us único, Abraão era chamado apenas “Abrão” (ou, em Hebraico, “Avram“, que significa algo como “grande Pai” ou “Pai de seu povo”; Povo de Aram) Após a Revelação e a aliança com D’us, seu nome tornou-se Abraão (ou “Avraham“, em Hebraico, que significa “Pai de muitos”, ou “Pai de muitas nações”) Ou seja, o nome muda, à medida que a Natureza do sujeito muda.

E todos os nomes Bíblicos tem em si a natureza do sujeito, em Hebraico. Outro exemplo: -Ezequiel (Ychzkiel – “O Poder de D’us“). De fato, no livro deste profeta são anunciados os grandes juízos de D’us, no que diz respeito a seu povo, então em falta. (Alias, permanentemente em falta, convenhamos. Todos os povos estão em permanente falta)

E o que isso tem a ver com “Em nome de Jesus”? Bom, quando Jesus diz “Aquele que pedir algo em meu nome será justificado”, está dizendo nada mais que “Aquele que pedir algo, estando em minha Natureza – isto é, manifestando minhas virtudes – será justificado.”

Cito aqui versículos que corroboram com esta colocação:

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada”. (Evangelho de João 14:23)

“Quem tem os meus ensinamento e os pratica; esse é o que me ama. O que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele”. (Evangelho de João 14:21)

“Quem beber de minha boca se tornará como eu. Eu mesmo me tornarei a ele. E as coisas ocultam lhe serão reveladas” (Dito 108 – Evangelho de Tomé)

Então, meus amigos, se você não estiver praticando corretamente os preceitos, se não estiver “Na Natureza” de Jesus, manifestando suas virtudes, tendo corrigido suas más inclinações, lamento muito: – A “frase mágica” não fará absolutamente nada.

Esta noção é completamente equivocada. Um engodo, diria eu. Até porque, pense comigo: – Se você não é capaz de “determinar” (esta é a terminologia que muitos evangélicos usam) suas próprias vontades e seu próprio caminho, como será capaz de determinar algo de escopo maior? Se não consegue aplacar uma vontade negativa, um impulso, uma emoção, e “determinar-se” sobre estes, como irá determinar sobre algo exterior a você?

“Aquele que busca, continue buscando até encontrar. Quando encontrar, ele se perturbará; Ao se perturbar, ficará maravilhado, e reinará sobre o todo. O Reino está dentro de vós, e também está em vosso exterior; Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, então sereis conhecidos, e compreendereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza, e sereis esta pobreza” (Trecho; Evangelho de Tomé)

Em outras palavras: – Cristo reinava sobre o todo pois foi antes capaz de reinar sobre si mesmo. Não caia em falácias convenientes. Reconheço que é mais agradável acreditar em frases mágicas do que esforçar-se em uma autocorreção dificultosa e total. Mas, definitivamente, isto não existe.

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.” (Evangelho de João 14:6)

Ou seja: – Seguir os seus preceitos é o caminho para o reconhecimento da verdade e o caminho para realização da verdadeira vida. O resto é macumba.

Antropocêntrico

Dentre as muitas coisas das quais sou acusado – ou até mesmo diretamente condenado – pelos textos que publico, a mais curiosa, sem dúvida nenhuma, é a seguinte: – “Miceli, o senhor tem uma visão antropocêntrica do mundo.” O termo é mesmo este: – Antropocêntrico. Em outras palavras: – “Você vê o mundo só pelo lado dos Humanos.” (vou repetir a frase porque é de uma abstração sensacionalista cativante) – “Você vê o mundo só pelo lados dos Humanos”

Bom, eu adoraria ver o mundo do ponto de vista de uma baleia, de um elefante, de uma girafa ou de um cachorro. Mas pergunto a vocês: – Já viram um cachorro, uma girafa, um elefante ou uma baleia expressarem sua visão de mundo?

“Veja bem; esse Humanos… Caçar Humanos nas aldeias deles não está certo, não está certo!”, diz o Leão ativista, a respeito dos seus que devoram criancinhas Africanas em aldeias. “Alias, não só Humanos, até porque estes são a minoria de nossas vitimas. E o Direito das zebras? E dos antílopes? Está certo mata-los para nos alimentarmos?”, completa o Leão ativista, exaltando-se finalmente. Emocionados, os outros Leões aplaudem. Assinam tratado, comprometendo-se a passarem fome pelo resto de suas vidas. Isto pelo Direito dos antílopes e das zebras (Direitos estes que não existem, mas resolveram respeitar como se existissem)

Minha gente, eu nunca vi uma coisa dessas. E acho mesmo que nunca vou ver, um grupo de animais lamentando pela vida de outros animais ou até mesmo pela vida de Humanos. Assim como nunca verei a “Mãe Natureza” lamentar-se após um terremoto qualquer matar algumas centenas de milhares de pessoas: –  “Assim não, senhor terremoto ! Assim não !” (adianto que os mais geniais atribuirão terremotos ao “Aquecimento Global” provocado pelos Homens)

Relendo este texto, tenho tênue sensação de estar escrevendo para crianças. Majoritariamente escrevo para adultos; os adultos leem e compreendem muito bem. Mas, por vezes, tenho mesmo que escrever para crianças.

Caim e Abel

Todos aqui, religiosos e não religiosos, curiosos ou até mesmo não curiosos, devem conhecer a História de Caim e Abel; A História do primeiro Assassínio da Humanidade, segundo as Escrituras Sagradas.

Quando converso com amigos sobre algo que remeta às Escrituras, encorajo-lhes a aprender o Hebraico – Idioma em que grande parte dos textos foram escritos – pois há todo um arcabouço de nuances que se perde com a tradução. Agora, aqui mesmo, darei um exemplo curioso, que aparece nesta História do Assassinato;

Após Caim ter assassinado o irmão, foi-lhe dito por D’us;

“Ouço o sangue do teu irmão clamar por mim desde a superfície da Terra”

Bom, esta é a tradução.

Mas na verdade, não há “Sangue”, no singular, em Hebraico. E sim “Sangues”, no plural (Demê).

“Ouço os sangues do teu irmão clamarem por mim desde a superfície da Terra”

Os Rabinos dão uma interpretação interessante;

Dizem que Caim foi condenado não só pela morte de Abel, mas também pelas incalculáveis gerações que nunca vieram a existir, devido sua morte.

Ou seja, é ensinado aí um principio importante;

Muitas vezes não compreendemos como um pequeno ato poderia ter uma implicação grandiosa para nós. Uma pequena mentira, uma pequena displicência, uma ação mal colocada ou inação.

Quantas vezes uma pequena mentira vira um grande imbróglio ? Uma pequena displicência, um grande acidente ? Um ação mal colocada, um ato falho. A inação, a perda de uma oportunidade que renderia inimaginaveis frutos ?

Nosso horizonte de consciência é por demais limitado e raciocinamos apenas com os dados que já temos. E os dados vindouros, o que estão por vir e não conhecemos ? Fogem ao nosso escopo, totalmente. Não temos como mesurar todas as implicações diretas e indiretas dos nossos atos.

No assassinato de Abel por seu irmão Caim, tal como exposto na Biblia Hebraica, está claro;

Quem mata uma vida, mata centenas de milhares de vidas.

Quem comete um ato, ainda que dos menores, interfere no Todo, de modo incompreensível e imensurável.

Cultura da Neutralidade

A Cultura atual da neutralidade, do não tomar posição, do não tomar partido, de assistir todo o desenrolar da História do alto d’um palco de indiferença ilusória lustrado de afetação, me parece – além de covarde – uma atitude completamente obtusa e irracional.

Falo do famoso “ficar em cima do muro”; do agradar “Gregos e Troianos”.

Pois eu lhes digo;

Em uma Guerra, quem fica no meio do caminho, é alvejado pelos dois lados.

Diálogo Gratuito

– Miceli, não vale a pena ensinar para aquele que não quer aprender.
– Concordo. O segredo é faze-lo querer.
– … No mais, não ganha-se nenhum dinheiro…
– O sujeito do qual aprendi todas as coisas ensinou: – Vocês receberam de graça, deem também de graça.
– Mas nada é de graça neste mundo!
– Então diga-me: – Quanto você pagou para vir à Vida?
– … Não dá para conversar com você, Miceli. Definitivamente.

Sucot

Chag Sameach Sucot!

Hoje – 27 do mês de Setembro para nós, 14 do mês Tishrei para os Judeus – estamos às vésperas de Sucot, a Festa dos Tabernáculos, comemorada anualmente pelos Israelitas. Felicito aqui, então, meus amigos judeus!

Curisidade I

A cada dia de Sucot, é recitada uma Brachá (Benção) chamada “Brachá das Quatro Espécies (Ou Arba Minim, em Hebraico). Do que se trata? Usa-se quatro espécies de plantas distintas, para simbolizar as características de cada pessoa da comunidade.

Temos:

Etrog – Parecida com um grande limão; Esta fruta cítrica tem cheiro e sabor. Representa as pessoas que têm Cultura, grande Virtudes, e procuram ajudar o seu irmão.

Lulav – É um ramo de tamareira, espécie de Palmeira. Tem sabor, mas não tem cheiro. Representa pessoas que tem sim, Cultura (sabor), mas não ajudam ninguém, fechadas em seu egoísmo.

Hadáss – Murta. Possui cheiro, mas não sabor. Representa pessoas que, malgrado sua deficiência Cultural e limitações (falta-lhe “sabor”), procuram, ainda assim, ajudar o próximo (exalam bom aroma).

Aravá – Folha do Salgueiro. Não tem cheiro nem sabor. Representa pessoas sem Cultura, as quais – como se não bastasse a própria miséria Cultural – não buscam melhora para si nem para o seu irmão. O egoísmo que limita a si mesmo e não acrescenta à comunidade.

E então, qual é a sua classificação atual? Qual destas espécies corresponde à sua Realidade?

Curiosidade II

Sabiam vocês que Jesus, como bom Judeu, participou da Festa dos Tabernáculos? Este Registro está no Livro de Yochanan (Evangelho de João), Capítulo 7:

“Aproximava-se a Festa dos Tabernáculos; então, seus irmãos disseram: – ‘Parte daqui (Galiléia) e vai para Judeia, para que teus discípulos também vejam as obras que fazes, já que ninguém age às ocultas, quando quer ser publicamente conhecido. Já que fazes tais coisas, manifesta-se ao mundo!’. Diziam isto pois nem mesmos os seus irmãos criam nele.

Disse-lhes Jesus: – ‘Para mim ainda não chegou o tempo certo; para vocês qualquer tempo é certo. O mundo não odeia vocês, mas odeia a mim, pois dou testemunho de que suas obras são más. Subam vocês à festa. Não subo à esta Festa pois ainda não chegou-me o tempo apropriado.’

Tendo dito isto, permaneceu na Galileia. Mas quando seus irmãos subiram, também ele subiu, não publicamente, mas às ocultas. Faziam-se muitos comentários a respeito dele na multidão. Uns diziam ‘Ele é bom!’, outros diziam ‘Não! Ele engana o povo!’. Entretanto, ninguém falava dele abertamente.” 

Mendacidade dos Homens

Só se é único sendo Pai. E só se é única sendo Mãe. Nem mesmo a condição de Filho outorga tal unicidade última.Um casal pode ter vários filhos. Mas um filho só pode ter um Pai. E um filho só pode ter uma Mãe. Por isso mesmo digo; A Paternidade e a Maternidade elevam o ser humano à condição do ser único.

“Há padrastos e há madrastas!”, avisam-me. Digo-lhes: – Não conceberam. Vejam bem; não conceberam. E por que dei a refletir sobre isso? Por todo lado, vejo o Anti-Pai e a Anti-Mãe. Pululam; saem de sob carros, da profundeza de boeiros urbanos, caem de sobre a copa de árvores, rolam por telhados elevados (quando não adentrando chaminés)

“Não nasci para ser Pai !”, diz o Anti-Pai. “Não nasci para ser Mãe!”, diz a Anti-Mãe. “Quero ter a minha própria vida, ouviu bem? Minha própria vida!”, dizem ambos. Ouço e fico a imaginar o que seria esta tão ufanamente anunciada “própria vida”. Será que o Anti-Concepção (adoto aqui modelo andrógino, que aliás, está também bem na moda) tem como “própria vida” o cursar meia década de faculdade, qualificando-se para ser um bom empregado de alguém?

“Não nasci para ser empregada de marido! Não nasci para ser empregada de filho!” Diz a Anti-Mãe, no momento mesmo em que tem a carteira de trabalho assinada por seu novo amo; o Patrão. “No meu emprego, sou única! No meu emprego, me dão valor! No meu emprego, sou insubstituível!” Diz, orgulhosa e realizada, na exata semana anterior à sua demissão. (Tendo na semana seguinte alguma outra, tão “qualificada” quanto, em seu lugar.)

Esta elevação do trabalho à finalidade última da vida sempre me pareceu uma loucura hedionda. Um erro monumental. Uma aberração. Tem-se como “trabalho” um meio de se produzir, onde também – e, para alguns, principalmente – adquire-se o sustento para a própria vida. Ora, se o sujeito não tem uma vida, vai sustentar o que?

Jesus, atordoado com a mendacidade dos homens, já indagava sobre montes:

“Porque vocês se preocupam exacerbadamente com comida? Por que se preocupam tanto com roupas? Não é a vida mais importante que a comida ? E o corpo mais importante que a roupa?”

Shakespeare, ao lidar com sujeitos fúteis e rasos, dizia:

“As almas desses homens estão nas roupas que vestem”

O Anti-concepção é isto: – Em sua futilidade existencial, o máximo que concebe é a aquisição de um novo modelo de celular, ou de um novo modelo de automóvel. A concepção da vida, o ser único, de fato, ficou em segundo plano. Minto: –  Já não está nem mesmo nos planos do Homem atual.