Eternos e Universais

Estava eu lendo “Uma antologia do Canone Pali” e deparei-me com o seguinte ensinamento, atribuído a Siddhāttha Gotama (Buda);

Majjhima Nikaya 26

“Quando ainda era eu um não-desperto, estando eu próprio sujeito ao nascimento, envelhecimento, doença, morte, tristeza e impurezas, andava eu em busca do que estava igualmente sujeito ao nascimento, envelhecimento, doença, morte, tristeza e impurezas.

Então considerei o seguinte; ‘Por que, estando eu próprio sujeito ao nascimento, envelhecimento, doença, morte, tristeza e impurezas, estou a andar em busca do que também está sujeito a estas coisas?’

Suponha que eu, estando sujeito a estas coisas e nelas vendo um perigo, for em busca do não-nascido, do que é isento de envelhecimento e doença, da não-morte, do que é isento de tristeza e impurezas e da suprema cessação de todos os liames, isto é, da busca do que é o Nirvana?”

Logo ocorreu-me o patente paralelo com o ensinamento atribuído a Jesus Cristo no Evangelho de Mateus, Capitulo 6, versículos 19-21, que nos diz: –  “Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões arrombam e furtam; mas ajuntai para vós tesouros nos céus, onde nem a traça, nem a ferrugem corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam; pois onde está o teu tesouro, aí também estará o teu coração”

Ensinamento também exposto no Evangelho de Lucas Capitulo 12, versículo 33: – “Fazei bolsas que não fiquem velhas, um tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói”

Dada a diferença de séculos entre os dois e os meios culturais totalmente distintos, há de se notar a verdade evidente: – Tratam-se de ensinamentos Eternos e Universais.

“Não penseis que vim revogar a Lei”

“Miceli, já li a Bíblia algumas vezes e não me lembro de alguma passagem que Jesus diga ser contra o amor entre pessoas do mesmo sexo.”

Abrimos o livro Levítico, Capitulo 18, e nos deparamos com a seguinte passagem: – “Eu sou o Eterno vosso D’us, guardareis os meus estatutos e as minhas normas. Quem os cumprir encontrará neles a vida”

Dentre dezenas de proibições sexuais que se seguem, encontramos no versículo 22: – “Não te deitarás com um homem como se deita com uma mulher. É uma abominação.”

Conclusão: – Não sei que espécie de Bíblia os cidadãos têm lido, mas deve ser uma edição revisada e convenientemente editada. Irão replicar: – “Mas isso não está no Evangelho! Está na Lei de Moisés!” Vejamos então o que Jesus diz sobre a Lei de Moisés: Evangelho de Mateus, Capítulo 5, versículos 17 ao 19: – “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; Não vim revogar, mas cumprir. Em verdade vos digo; Enquanto houver Céus e Terra, de modo algum será omitida da Lei a menor letra ou o menor traço até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um só destes Mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado “menor” no Reino dos céus; Mas aquele que os praticar e os ensinar, será chamado “grande”, no Reino dos céus.”

Jesus Judeu

Tenho muitos amigos católicos e evangélicos (e até alguns ortodoxos). Todos cristãos, que comungam dos testemunhos acerca de Jesus Cristo. Mas um assunto é sempre motivo de discussão, quando não de confusão e até divisão; O culto religioso a Maria, bem como a todos os santos.

Vejo em inúmeras postagens católicos fazendo apologia a adoração de Maria, como “Mãe de Deus” e Evangélicos encolerizados, dizendo que trata-se de uma blasfêmia, de idolatria, assim como seria blasfêmia e idolatria o culto aos Santos. Um grandioso imbróglio teológico que parece não ter fim e que, infelizmente, promove a divisão dos seguidores de Jesus Cristo, fato esse alarmante se considerarmos as próprias palavras de Jesus, que nos diz: – “Aquele que não está comigo está contra mim. E aquele que comigo não ajunta, espalha”

Pois bem, esta bagunça medonha não estaria “espalhando” o que Jesus veio juntar ?
Deixem-me contar-lhes uma novidade, então (“Novidade” já conhecida mas aparentemente esquecida) Jesus era judeu, nascido no que hoje corresponde a Palestina. Foi circuncidado. Foi instruído nas escrituras sagradas judaicas desde a infância (O que conhecemos como “Antigo Testamento” nada mais é que as Escrituras Sagradas Judaicas, com maior importância para os cinco primeiros livros, o Pentateuco, que no original Hebraico chama-se Torá).

Desde sua infância até sua morte, participou de todas as festividades judaicas, previstas na Torá (como Pesach, por exemplo, a Páscoa judaica que comemora a saída do povo judeu do Egito). O Deus a quem Jesus se referia era o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, o Deus de Israel, e não nenhum outro Deus de sua invenção. E quando Jesus falava que nenhuma palavra da “Lei” passaria, estava falando da Torá, o Livro da Lei.

Mateus 5:17 nos diz: – “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim revogar, mas cumprir”.

Então, para entender o que Jesus ensinava é preciso saber do que ele estava falando, que Lei era essa que ele estava ensinando e para quem ensinava. Alias, ele mesmo diz que não veio senão para as “ovelhas perdidas da casa de Israel”.

Os “adoradores” de Maria usam um versiculo do Evangelho de João em que Jesus, já na cruz, diz a seu discipulo que “esta é sua mãe”, referindo-se a Maria. Pois bem, ignorando todos os outros ditos de Jesus nos 4 Evangelhos e todas as Escrituras Sagradas citadas acima, as quais Jesus ensinava, extraindo apenas essa parte e construindo toda uma teologia em cima, isso é justificavel. Mas, conhecendo os ensinamentos de Jesus, isso é completamente insustentavel. E porque digo isso ? É simples. Pela própria boca de Jesus, temos o esclarecimento;

Quando ensinando em uma sinagoga, Jesus fora avisado que sua mãe e seus irmãos o aguardavam do lado de fora, no que Jesus perguntou: – “Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? Esses que estão aqui, que fazem a vontade de meu Pai, esses são a minha mãe, e esses são meus irmãos”. (Mateus 12:46-50)

Este é apenas um dos ditos em que Jesus demonstra que os laços da carne, os laços de sangue, não são importantes. E sim os laços do Espirito, tidos por aqueles que comungam da obediência das Leis de Deus, fazendo assim a vontade de Deus. Todo o problema advém das pessoas discutirem teorias, teologias e testemunhos de “segunda mão”, se é que posso usar este termo.

Discute-se a teologia dos doutores da Igreja, e dos reformadores da Igreja, ok. Mas o que está contido nos Evangelhos, de fato ? Quais são os ensinamentos atribuídos a Jesus, ali escritos? O que dizem? O que ensinam? E quanto a “Lei”? Lei que ele ensinava e dizia esta ser eterna de modo que céus e terras passarão mas ela permanecerá? Lei que ele diz ter vindo plenificar, cumprir e não anular?

Jesus por muitas vezes cita a Torá (que, como disse acima, corresponde aos cinco primeiro livros do Antigo Testamento)

“Amar ao próximo como a ti mesmo.” está no livro de Levítico.

“Nem só de pão vive o homem mas de toda palavra que vem de Deus.” está no livro Deuteronômio.

“Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” está no livro Deuteronômio.

Se as Escrituras fossem desimportantes, ou “ultrapassadas”, Jesus basearia seus ensinamentos nelas ? E esta mesma Escritura tem a resposta para toda dúvida e polêmica exposta no inicio do texto. Ela diz: – “Somente a Deus prestarás culto religioso”. Alias, o próprio Jesus citou este trecho das escrituras, ao ser tentado no deserto, negando todo e qualquer tipo de idolatria das nações para si: – “Pois está escrito; Somente a Deus prestaras culto religioso”

Afirmou inúmeras vezes que não veio em seu próprio nome, que tudo o que diz e faz é pela vontade do “Pai”. E ao ser chamado de “bom mestre”, respondeu: – “Por que me chamais bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus”

Portanto, o que fazem vocês a adorar fulano, ou ciclano, ou Maria, ou José ou até mesmo Jesus? Não estão indo vocês na contra-mão do que Jesus ensinou? Não estariam vocês discutindo teorias e filosofias de homens e esquecendo as revelações dadas por aquele que veio ensinar as Leis Eternas do Espirito?

Para terminar utilizando as palavras daquele que vocês dizem ser o Senhor e Mestre de vocês: – “Por que chamam-me “Senhor! Senhor!” e não fazem o que eu digo?”

Museu de grandes novidades

“Desordem para chegar a Regime Sindicalista!”
“Comunização do Brasil!”
“Dinheiro Chinês para aniquilar o Brasil!”

Estas manchetes soam atuais, reverberam aos ouvidos como atuais. E de fato são atuais: – Manchetes atuais de um jornal de 1964.

Acredito que estes fatos históricos não tenham sido ensinados para nós em sala de aula. Um povo sem memória, seja por falsificação da história ou por ignorância pura e simples, repete ciclicamente seus próprios erros. E assim também o é na vida pessoal, de cada um. O mesmo Princípio incide sobre esferas ilimitadas da Realidade; do micro para o macro, ciclos após ciclos, o Principio é o mesmo.

Alias, como sempre me ocorre, isso fez-me lembrar de um ensinamento interessante de um certo nazareno. Foi-lhe perguntado como seria o fim de todas as coisas:

“‘Dize-nos: – Como será o nosso fim?’ Jesus respondeu: –  ‘Haveis, então, discernido o Princípio, para que estejais procurando o Fim? Pois onde estiver o Princípio, ali estará o Fim. Feliz daquele que tomar seu lugar no Princípio; ele conhecerá o Fim, e não provará a morte.'”