Pós-Humanismo

O Monoteísmo retirou o foco dos Deuses e colocou sobre um D’us único. O Humanismo retirou o foco do D’us único e colocou sobre o Homem. O transumanismo retirou o foco do Homem e colocou sobre as tecnologias, que produzirão um “novo Homem”, “superior em força e inteligência”, através de um processo chamado “enhancement”. Não pensem que é galhofa de ficção científica; já há relatórios sérios governamentais sobre transumanismo desde 2002. A nanotecnologia, a biotecnologia, a informática e a inteligência artificial são os canais pelos quais sujeitos como Ray Kurzweil pretendem criar “uma nova criatura”, manipulando nosso código genético para extirpar doenças in limine e aumentar nossas capacidades (QI, constituição física, beleza, longevidade, etc, etc.), além de acoplar-nos a um banco de informações mundial e inteligência artificial. Seriamos sujeitos biologicamente modificados e híbridos; meio homens, meio máquinas (de fato, de você usa um marca-passo, já não é completamente natural. Se fez uma cirurgia plástica, já “aumentou” sua beleza de forma artificial; estes são exemplos bem simples do que tem-se por transumanismo, ainda que em fase inicial, mas crescendo rapidamente de forma exponencial)

Por que citei, de passagem, essa nova visão de mundo, que ainda parece distante para alguns, mas bem próxima para os pioneiros do Sillicon Valley? O mote deles é “From chance to choice”, o que significa “Do acaso para escolha”. Eles não querem que sejamos “vítimas” de nossa genética herdada; que nossa identidade seja determinada por Deus, pelos costumes ou pela natureza. “Nós seremos o que quisermos ser”. Essa revolta contra a estrutura da Realidade está por trás de todos estes movimentos que testemunhamos hoje, como o feminista, que milita contra a própria constituição feminina (sobretudo, a maternidade), da transexualidade (dissociação do sexo biológico e do “gênero”, com a tecnologia à serviço de modificações ao bel prazer do indivíduo) e muitas outras. A Revolta, no princípio, foi contra os Deuses, “feitos de madeira e gesso, e que nunca respondiam”. Passou a ser contra o D’us transcendente, “que está em silêncio e permite o mal no mundo”, e agora finalmente recai sobre nós mesmos; contra nossas próprias características que nos tornam humanos. Querem controlar não somente a natureza exterior, mas também a natureza interior; criar novas espécies através de manipulação genética (a China já o tem feito com seres Humanos) e inaugurar uma Nova Era: O “Pós-humanismo”. Portanto, é inútil querer argumentar que esta ou aquela decisão irá “destruir os pilares da civilização tal como a conhecemos”, pois é JUSTAMENTE ISSO que eles querem. Eles sabem o que estão fazendo, e acham bom. No fim, trata-se do eterno motivo da queda Humana testemunhado em Gênesis: O querer ser como um D’us.

Publicado por

O Lenho Verde

"Aquele que fala por si mesmo está buscando o seu próprio prestígio. Mas quem busca o prestígio daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade."

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