Falta-nos um lar

Já que o diálogo em tom de troça com uma feminista – que era apenas para ser uma provocação – causou certa polêmica, deixem-me terminar de botar fogo na fogueira. Vou discorrer brevemente sobre o motivo pelo qual o casamento “perdeu o encanto” para os homens, e eles não veem mais vantagem nenhuma em se casar. Admitirei necessidades masculinas inconfessáveis para alguns, mas que reconheço com muita naturalidade.

Sabe quando você visita a casa, por exemplo, da sua avó, e o ambiente tem cheiro de lar? A comida tem um gosto especial e tudo que ela faz tem um toque feminino único, de quem faz por amor e com esmero. Vejam bem: Uma casa não é, necessariamente, um lar. Assim como uma comida não é simplesmente uma comida. E aí eu não sei se vocês entendem o que eu quero dizer… O que mais ouço de reclamação de amigos recém casados é o seguinte: “Miceli, eu tenho uma vida de solteiro a dois” A frase é minha, mas é isso que eles querem dizer. Ambos, marido e mulher, chegam em casa às 8, 9, 10 horas da noite. Ambos mortos. Daí colocam qualquer prato congelado no microondas e comem apenas para não morrer de fome. Tendo filhos, a educação deles é terceirizada, seja para uma doméstica, para creche ou para escola. Cada um tem sua própria vida isolada, e só compartilham as “sobras” que restaram do cotidiano.

Mas a questão é justamente a frase acusativa feminina, quando separam-se de um Homem “mimado”: “Ele queria uma segunda mãe” Pois bem, sob certos aspectos, é justamente isso que o Homem quer: uma segunda mãe. Isto no sentido de se sentir “cuidado”, de que alguém tem um zelo especial por ele, que nenhuma outra pessoa tem (e imagino que este também seja o desejo feminino, canalizado para outras questões como segurança física e emocional) O homem procura outra mãe no sentido que procura outra FAMÍLIA: o aconchego do lar, o carinho dos filhos, os cuidados da esposa, o sabor da refeição doméstica… Isso, uma casa em que todos só estão de passagem, jamais irá proporcionar. Nenhum homem (que não seja hipócrita) irá negar que sente falta dos cuidados femininos das mulheres de outrora, que se perderam, e que talvez nunca mais se recupere. Isso motivava os Homens a “pagarem o preço” do trabalho dobrado, da fidelidade matrimonial, etc. etc. Havia toda uma instituição dedicada a ele, pela qual ele se sentia naturalmente responsável, com orgulho e por amor (Não pelo perigo de sanções estatais como processos e pensões) Hoje, lamentavelmente, muitos pensam assim: “Se é para comer comida de microondas, ver a minha mulher sempre exausta e irritada por problemas no trabalho, pagar para um estranho cuidar do meu filho, e morar num ambiente que mais parece um hotel de passagem, eu prefiro ficar solteiro mesmo. Sai mais barato, não tenho responsabilidades e não devo fidelidade a ninguém” Antes o homem casava e tinha todo um benefício. Hoje ele casa e só tem despesas.

Nota: É claro que há exceções, entre casais de bom poder aquisitivo que podem driblar o estresse e as dificuldades do dia a dia, e casais religiosos que ainda mantêm a família no topo da hierarquia de prioridades. Mas o cenário geral, lamentavelmente, é este mesmo. O Homem vê, e evita.

Publicado por

O Lenho Verde

"Aquele que fala por si mesmo está buscando o seu próprio prestígio. Mas quem busca o prestígio daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade."

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