Vitória política e cultural

Não deveria haver nenhum escândalo que policiais fizessem uso da força ao cumprir um mandado judicial. Todo o processo se deu nas formas da Lei, foram dadas todas as garantias de defesa ao réu, inclusive o beneficio de entregar-se de forma não constrangedora sem necessidade de uso de algemas e sequer ser conduzido. A negativa partiu do réu, assim como a sublevação usando próceres do partido em bando; quase que em formação de quadrilha. O absurdo tem de residir nisto: no motim. Não numa necessária resposta policial diante do motim. E é precisamente aí que reside a vitória de Lula: a atmosfera cultural e emocional que permite que este tipo de inversão aconteça.

Lula usou militantes como escudo humano ante a ação policial, visando justamente promover o embate e colher os frutos da vitimização sob “perseguição” e “truculência”, logo depois. Isso é notório. Mas numa sociedade saudável, esta “chantagem” nao deveria funcionar. Quando instituições que teoricamente deveriam garantir a Lei veem-se paralisadas frente esta armadilha, é porque JÁ CEDEU a este discurso da demonização do agente garantidor da Lei. Agora a gentalha SABE que o uso do coletivo e da propaganda ASSUSTA E PARALISA seus adversários, e usará sempre que necessário. Novamente: uma suposta ação policial “Violenta” para garantir a Lei não seria algo “arbitrário”, e sim NECESSÁRIO por conta da sublevação por parte dos amotinados. Assim como tiroteios em favelas não ocorrem por culpa da policia, e sim do tráfico que exige a intervenção da polícia.

Portanto, a questão principal não diz respeito ao processo do Lula, onde ele mais se complicou do que se ajudou. Na verdade, Lula já tem 72 anos, e por mais que passe o resto da vida na cadeia (o que não vai acontecer) já gozou de todos os seus desmandos por décadas a fio, e não teria mais tempo hábil para pagar tudo o que deve à Justiça. A questão é a demonstração de poder de um discurso que paralisa, um vitimismo que funciona, que impede a aplicação da Lei, que amedronta, que paralisa até as mentes mais bem intencionadas e pungentes. “Uma ação policial violenta nesta situação só faria do bandido uma vítima” É exatamente este o pensamento que impede o policial militar de trocar tiros numa favela, ou um guarda municipal de prender um trombadinha no meio da rua. Este é o pensamento que paralisa o agente da Lei.

Publicado por

O Lenho Verde

"Aquele que fala por si mesmo está buscando o seu próprio prestígio. Mas quem busca o prestígio daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade."

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