Ebony – Voz às minorias

(Entrevistador) – Então, Miceli, vimos ontem que você lançou o seu novo longametragem “Ebony”, que trata de um jovem negro pobre transsexual – que se identifica com o genero femino – tendo um caso de amor com uma mulher; portando um caso Trans-homo-sexual, é isso?
– Perfeitamente.
(Entrevistador) – Ousado, não?
– Na verdade não. É bem comum. Estas pessoas apenas não contam com representatividade.
(Entrevistador) – E você veio dar voz a elas…
– Sim.
(Leve comoção dupla)
(Entrevistador) – A moça pela qual Ebony se apaixona se chama Roseta; uma mulher branca heterossexual de familia rica. Quase um elemento detestável… Salvo pelo fato de ser mulher; a unica categoria de minoria que ela preenche. Escolher um par romantico detestável para Ebony foi proposital?
– Sim. Para criar um contraste entre o bem e o mal.
(Entrevistador) – E ainda pôde explorar a intolerância e o preconceito da Familia de Roseta…
– Sim, isto nunca foi feito. Esta questão racial nunca foi abordada em novelas, seriados, fimes… Estamos começando isso agora. Eles nunca tiveram voz…
(Entrevistador) – E você veio dar voz a eles…
– Sim.
(Leve comoção dupla. Desta vez, meus olhos enchem de lágrimas)
(Entrevistador) – Precisa de um tempo, senhor Miceli?
– Não será necessário, obrigado. (enxugando com um lenço)
(Entrevistador) – Para completar há um refugiado muçulmano que termina tendo uma “paixão explosiva” por Ebony, criando um perigoso triangulo amoroso. Quando li “paixão explosiva” relacionado a um personagem muçulmano, fiquei pensando se não haveria alguma conotação sutil por trás…
– O senhor nunca teve uma paixão explosiva?
(Entrevistador) – Quem não teve?
– Por que todos podem ter uma paixão explosiva, exceto um muçulmano? Por que isso dito a respeito de qualquer um é normal e a respeito de um muçulmano seria uma piada? Isso é um caso crasso de Islamofobia…
(Entrevistador) – Senhor Miceli, eu não pretendia ofendê-lo e.
– Desculpe, não posso continuar dando essa entrevista… Nós cruzamos uma linha aqui… (levantando)
(Entrevistador) – Não, senhor Miceli, por favor, nós estamos ao vivo e.
(Tirando o microfone da lapela e deixando o local, indignado)

(Demo Danado) – Finalmente o meu garoto aprendeu a ganhar dinheiro na vida…

Publicado por

O Lenho Verde

"Aquele que fala por si mesmo está buscando o seu próprio prestígio. Mas quem busca o prestígio daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade."

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