Trabalho como relação colaborativa

O socialismo parte da premissa de que toda relação de trabalho é uma relação de exploração, e não de uma colaboração mútua, como sugere o capitalismo. O detentor do meio de produção – aquele que tem – explora o pobre coitado que nada tem. É preciso então salientar o seguinte: aquele que nada possui, que não nasceu numa familia proprietaria de terras ou de “meios de produção”, já é um miserável, sem que ninguém precise explorá-lo para isso. Deixado a própria sorte, ele nada tem e nada terá.

Se um sujeito que mora no interior vivendo de uma agricultura de subsistência resolve deixar a sua região e ir para cidade grande em busca de emprego, mesmo que este pague muito pouco, é JUSTAMENTE por esta ser sua ÚNICA oportunidade de crescimento na vida, de emancipação, para que consiga ele mesmo, futuramente, ter seus próprios meios de produção e ser ele mesmo um futuro empregador.

Vemos este fenômeno ocorrendo de zonas rurais para zonas urbanas, de países menos desenvolvidos para países mais desenvolvidos (o êxodo de Indianos para países como Qatar, por exemplo, que oferece condições duríssimas de trabalho, baixa remuneração, nem por isso deixando de ser destino certo para todo indiano que sonha deixar a sua vila paupérrima, “fazer dinheiro”, e voltar em boas condições para o país); são diversos exemplos atuais e observáveis de que a relação de trabalho – mesmo as mais duras e aparentemente não atraentes para um sujeito de classe média acostumado a uma vida de confortos e conveniências – é na imensa maioria das vezes um processo de crescimento para aquele que nada tem, para que possa começar acumular o seu próprio capital, ter o que seus pais não tinham, e talvez na própria vida ou na geração seguinte, alcançar novos estágios e ser ele o empregador.

Isto, é claro, é para quem quer trabalhar, produzir, prosperar, e delegar sua prosperidade aos filhos e netos; dar a eles o que não tiveram. O sujeito de uma família que já galgou todos estes estágios não vê que, ao privar o que nada tem de se lançar a estas condições aparentemente “injustas” de trabalho, priva-os da unica possibilidade de crescimento real para suas vidas. Se olharmos para historia de nossas familias, acharemos esse avô ou bisavô que comeu o pão que o diabo amassou para que hoje você pudesse apenas sentar o bumbum na cadeira e estudar. Mas é claro que nem todos que se opõe ao trabalho são “bem intencionados”; “justiceiros sociais” que não entendem nada de economia e da realidade de ter de trabalhar para comer. Para quem quer viver encostado tomando cachaça, ou levar uma vida hedonista de dilapidação de patrimônio alheio, trabalhar realmente é um pesadelo.

Publicado por

O Lenho Verde

"Aquele que fala por si mesmo está buscando o seu próprio prestígio. Mas quem busca o prestígio daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade."

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