Preservando o próprio bolso

Outro dia eu estava entrevistando um militante pela Mãe Natureza; um ecologista preservacionista que se gabava de ter lido mais de 500 livros. Era, portanto, um especialista no assunto. Tudo ia muito bem até eu perguntar: “O senhor sabia que milhares de arvores foram cortadas para que seus mais de 500 livros fossem feitos? O senhor se gaba de ter uma imensa biblioteca que significa um desmatamento enorme?” Ele não soube responder e disse apenas o seguinte: “Nunca fui tão desrespeitado em toda a minha vida” E saiu.

Dali ele pegou seu jatinho particular que queima mais combustíveis fosseis do que qualquer outro meio de transporte no planeta. No voo, alimentou-se de sua dieta “vegana”; frutas e verduras que para serem plantadas desmatam milhares de hectares da flora natural, extinguindo também toda sua fauna correspondente. Desceu do jatinho, abriu sua necessaire de couro (que matou algum animal para que retirassem a sua pele), e utilizando um celular (que contribui até mesmo para poluição da orbita terrestre devido ao uso de satélites) disse o seguinte para o seu assessor: “Pessoas como o Miceli são um perigo para Mãe Natureza… Ele é um índio! Um bárbaro estúpido! Nunca mais marque nada com ele!” Então prosseguiu seu dia lutando pela demarcação de reservas indígenas: – “Os indios são as criaturas mais puras e virginais que conhecemos”

Publicado por

O Lenho Verde

"Aquele que fala por si mesmo está buscando o seu próprio prestígio. Mas quem busca o prestígio daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade."

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