Tautologia Celestial

Neste curto período de dois anos em que escrevo em redes sociais, perscrutando os mistérios dos céus e da Terra, enleiando-me em enigmas filosóficos obscuros e buscando desatar inúmeras perfídias políticas, não raro encontro-me em obtusa perplexidade. Por exemplo: eis que agora surge uma questão seríssima, quase tautológica, levantada por um leitor: “Miceli, o Demo Danado é Danado porque é Demo ou é Demo porque é Danado?” E está aí, posto, todo um enigma celeste, sobre o qual não me furtarei em me debruçar.

(Demo Danado) – …Este leitor não tem mais o que fazer?

A resposta para a questão aparentemente embaraçosa é simples: O Demo é Demo porque é Danado. Se não fosse Danado seria um Anjo.

(Demo Danado) – E eu não tenho que ser Demo antes para ser danado depois? Anjo não pode ser danado; só o Demo é quem pode.
– Pois dizem que o senhor foi um Anjo antes de ser um Demo depois. Até ser insolente, “cair” e…
(Demo Danado) – Insolente? “Cair”? Era só o que me faltava… querem saber mais de mim do que eu mesmo! Vou fazer o seguinte: vou parar de te ajudar com os seus textos porque é isto que eu recebo… “Insolente” foi demais.
– …
(Demo Danado) – Todos sabem que eu fui vitima da opressão do patriarcado!
– …
(Demo Danado) – E “Anjo” era apenas uma construção social. Isto estava muito claro para mim, desde O princípio…
– …
(Demo Danado) – Quanto à Verdade, não é justo que exista só uma; existem várias “verdades”, cada um tem a sua!
– …
(Demo Danado) – E o que é certo? Certo é o que te faz feliz!
– Demo, não vamos nos estender, por favor. O Leitor levantou um problema filosófico, quase teológico – um mistério, digamos assim -, e nós estamos aqui tentando desvendar este mistério.
(Demo Danado) – Mistério é esse sujeito fazer uma pergunta dessas, pelo amor de Deus! Ainda mais numa sexta-feira à noite! Além de desocupado, não deve pegar ninguém!
– Demo, por favor…
(Demo Danado) – P’ra mim já deu. (assume a forma de um grilo e some)

Publicado por

O Lenho Verde

"Aquele que fala por si mesmo está buscando o seu próprio prestígio. Mas quem busca o prestígio daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade."

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