A morte santifica o homem

Lembro bem quando Renato Russo morreu. A senhora minha mãe, que nunca tinha ouvido uma musica sequer do cantor, apareceu com a discografia completa dele em casa.

– O que é isso?
– Renato.
– Quem é Renato?
– Sempre fui fã. Você é tonto?

Dentre os CDs – e o único que ela ouvia – estava um CD que o cantor gravara em Italiano, somente de musicas Italianas. E a senhora Miceli, enganando-se a si mesma, dizia orgulhosa: “Conheço todas” (evidentemente, porque eram italianas e nenhuma dele)

Agora o senhor Marcelo Rezende morre – que Deus o tenha em bom lugar -, e súbito, descubro que ele era o jornalista mais amado do Brasil, quiçá do mundo. Já disse isso outras vezes e repito: mal posso esperar a hora de morrer. Já posso ver, pululando em timelines de quem nunca me leu, o seguinte: “Não li Shakespeare mas li Rodrigo Miceli” “O maior escritor de timeline de Facebook do mundo!” “O que era aquele humor?” “Quando eu lembro do Miceli, dá vontade de sentar no meio fio e chorar”

Publicado por

O Lenho Verde

"Aquele que fala por si mesmo está buscando o seu próprio prestígio. Mas quem busca o prestígio daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade."

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