Vamos pensar um pouco

Um “ex”-agente confesso da KGB (serviço secreto da União Soviética), colunista de um famoso jornal do Rio de Janeiro (sim, nós temos “ex”-agentes da KGB escrevendo em jornais de grande circulação no Brasil) pôs em sua manchete diária o seguinte: “Jovens que trabalham para o tráfico estão há dois meses sem receber” E aí é preciso que se diga duas coisas. A primeira é que ao narrar todo o imbróglio de 1964 – o famigerado “Golpe militar” -, não são poucas as teorias envolvendo a CIA (o serviço secreto norte-americano) e como o Estados Unidos teriam, de algum modo, participado do movimento. Por outro lado, nada – absolutamente NADA – é dito acerca da influência da KGB neste mesmo período, o que demonstra claramente que apenas um lado da história nos foi contado. Quanto ao teor da manchete em si, não é preciso dizer que, súbito, criminosos são apresentados como simples “jovens”, o que é, por si só, uma atenuação brutal. Para completar, traficar foi elevado a um trabalho digno, já que jovens “TRABALHAM” para o tráfico, segundo o colunista, o que implicaria uma injustiça ficar sem receber. Somente um “ex”-agente da KGB para, numa linha aparentemente inofensiva, conseguir encaixar duas distorções monstruosas: criminosos como meros “jovens” e traficantes como “trabalhadores”. E o pior é que se olharmos para midia nacional, este tipo de abordagem não é uma exceção, e sim regra.

Agora vamos pensar um pouco: se nosso autor admite que muito aprendeu em seu curso de “formação política” na antiga União soviética, em época que militava pelo partido comunista do Brasil, e se 99,9% dos seus colegas de trabalho não fazem nada senão ecoar estas mesmas técnicas subversivas, seria a nossa mídia simplesmente uma importação de modelos soviéticos? Seriamos apenas uma sucursal comunista Latino-Americana? Será que isto tem a ver com a China (integrante do bloco Russo-Chinês) estar comprando todo o Brasil e de nós estarmos inseridos no BRICS (grupo economico no qual Russia e China tem papel proeminente) Quantos brasileiros têm acesso a essas informações? Isto “passa” no “Jornal Nacional”? Não há democracia quando o povo é completamente ignorante acerca de sua própria realidade. Ele não pode optar entre A, B ou C, se não conhece nem A, nem B e nem C (isso partindo do pressuposto otimista de que haja opções reais)

Publicado por

O Lenho Verde

"Aquele que fala por si mesmo está buscando o seu próprio prestígio. Mas quem busca o prestígio daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade."

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