Midrashê Shabat V

No Midrashê Shabat desta semana (já o Midrashê Shabat número V), falarei sobre uma parábola muitas vezes mal compreendida, dita por Jesus. Ela contem em si valores morais contraditórios, só resolvidos diante de uma visão mais profunda do que ele pretendeu ensinar. A parábola está no Livro de Lucas, Capítulo 16, versículos 1 a 8, que diz:

“Um Homem Rico tinha um administrador que foi denunciado por dissipar seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: – ‘Que é isso que ouço dizer de ti? Presta contas de sua administração pois já não podes ser administrador.’ O Administrador então refletiu: – ‘Que farei, uma vez que meu senhor me retire a administração? Cavar? Não tenho força. Mendigar? Tenho vergonha. Já sei o que farei para que – uma vez afastado da administração – tenha quem me receba na própria casa…’

Convocou então os devedores do seu senhor, um a um, e disse ao primeiro:

‘Quando deves ao meu senhor?’
‘Cem barris de óleo’, respondeu ele.
Disse então; ‘Toma tua conta, senta e escreve depressa cinquenta.’

Depois disse a outro:

‘E tu, quanto deves?’
‘Cem medidas de trigo’, respondeu.
Ele disse; ‘Toma tua conta e escreve oitenta.’

E o senhor louvou o administrador desonesto por ter agido com prudência.”

Louvou o administrador desonesto por ter agido com prudência? Bom, há aí uma contradição insolúvel, se tivermos à vista apenas valores Morais. Mas como já disse em outras oportunidades, Jesus usa de parábolas para transmitir conceitos espirituais mais profundos, e alcançando a essência de seus ensinamentos, vê-se claramente: – Não há contradição alguma. Explico-me a seguir.

Com a figura do administrador Infiel, Jesus simboliza os filhos do Homem, que receberam para si uma grande riqueza (A consciência e todas as faculdades que o aproximam de D’us, como sua Imagem e semelhança) e não foram dignos dela. Todos, desde Adão, estão em clara e manifesta dívida, todos foram e são infiéis com o que receberam.

“Mas Miceli, perá lá! Você estava na ocasião para saber? Testemunhou as outras gerações?”

Diria eu que testemunho esta geração e isto já me é suficiente. Não há ninguém que não tenha usado mal suas faculdades, que jamais tenha mentido, maldito alguém (maledicência), desejado algo que não é seu, desejado o mal à alguém, etc., etc. Portanto, estamos bem longe da orientação divina que é: – “Sede santos pois Eu sou santo.”

A dívida, convenhamos, é escabrosa. E evidentemente ela será cobrada no tempo oportuno. Diante disto, o que o devedor que é pego, o que o mal administrador pode desejar para si, quando for a julgamento? Argumentos não há, dado que a lista de faltas é imensa. Ademais, há flagrante. Se não for pela Misericórdia, não haverá esperança alguma.

E por isso mesmo Jesus ensina: – “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, para não serdes Julgados; Não condeneis, para não serdes condenados; Perdoai, e vos será perdoado. Dai, e vos será dado. Pois com a medida com que medirdes, sereis medidos também” (Lucas 6.36-38)

Porque, então, a atitude do administrador, perdoando a divida de devedores do seu senhor e encontrando assim graça aos olhos destes, terminou também por encontrar graças aos olhos do seu senhor? Por ser esta a aplicação exata do ensinamento dado por Jesus, citado acima: – “Perdoai, e vos será perdoado. Dai, e vos será dado. Pois com a medida com que medirdes, sereis medidos também”

Publicado por

O Lenho Verde

"Aquele que fala por si mesmo está buscando o seu próprio prestígio. Mas quem busca o prestígio daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há falsidade."

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